• Paulo Cardoso

Uma obra mal parada

Numa obra que já anda, não se deve interferir. Assistimos, nestes dias, à aprovação da suspensão das obras do Metro de Lisboa, no debate de Orçamento de Estado. É uma autêntica tolice. Com concursos públicos lançados e construções a acontecer, esta decisão é de grave prejuízo financeiro para o país e vai custar muito dinheiro aos nossos bolsos.


Este era um Orçamento que previa o arranque das obras da intitulada linha circular do Metro, que incluía novas estações: Estrela e Santos. São obras que vão parar para estudar outras alternativas durante um ano… Mas, afinal, ainda não se fizeram os estudos todos? Os 83 milhões de euros de fundos comunitários foram atribuídos às obras sem os estudos devidos? Não se terá já estudado, previamente, a ligação a outras cidades? Se as obras ainda não tivessem saído do papel, justificava-se investir esse valor nas cidades do interior do país (que bem precisam).


Na mesma semana em que se discutiu o iva da eletricidade, o PAN pediu a “suspensão da construção da Linha Circular”. Isto não é de estranhar? Ao acusarem o Governo de fazer cortes em obras e investimentos (o que é verdade), o PSD, o BE, o PCP e o Chega foram todos atrás e permitiram esta tolice. Tudo isto para que os partidos possam fazer política local e preparar votos para 2021.


É uma estupidez que vai custar a perda dos milhões e a paragem de desenvolvimento da mobilidade em Lisboa. As circunstâncias não permitem suspender a expansão do Metro e o investimento dos fundos nas linhas férreas ou em estradas do interior. Neste caso, vamos ter de indemnizar os empreiteiros que já apresentaram propostas aos concursos realizados, bem como a quem viu o seu terreno expropriado.


Umas obras que deveriam estar prontas em 2023 podem, afinal, já não estar. Aconteceu uma verdadeira falta de entendimentos entre os políticos, mas o pára-arranca já faz correr muita tinta, há anos. Estas estratégias de ganhar votos têm de acabar e o país tem de cumprir a execução dos fundos comunitários (para o bem de todos).


Fonte: Jornal Público
Fonte: Jornal Público

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