Uma década de destaques

Por Marta Santos e Patrícia Silva


O fim de 2019 marca o final de uma década. Desde 2010 até hoje, o mundo foi testemunha de muitos acontecimentos marcantes, quer na música ou no desporto como na ciência e na política.


Sociedade


2013 - Papa Francisco

Em 2013, de forma inesperada, o Papa Bento XVI abdicou do seu cargo na igreja, por motivos de saúde e de idade, dando espaço a umas novas eleições neste meio. Jorge Mário Bergoglio, conhecido, posteriormente, como Papa Francisco, ocupou a sua função. Na sua apresentação, pela Rádio Vaticano, foi descrito como o “pastor das pessoas pobres, voz dos que não têm voz, rosto dos que não têm rosto”. Uma das suas principais medidas foi a marcação de uma cimeira inédita da liderança católica mundial sobre abusos sexuais e proteção de menores na igreja, em 2019.




2015 - Massacre do Charlie Hebdo

7 de janeiro de 2015. Um dia para sempre fixado na memória de todo o mundo. Dois homens encapuzados e vestidos de preto entraram na redação da revista satírica parisiense “Charlie Hebdo com o intuito de matar os membros desta. “Allahu Akbar" (“Alá é grande”) fez-se soar pelos atiradores durante todo o massacre que culminou em 12 mortes.





O ataque foi da autoria de Saïd Kouachi e Chérif Kouachi, dois irmãos membros do grupo Al-Qaeda do Iémen que, mais tarde, foram abatidos a tiro pela polícia. A imagem de Maomé a segurar um cartaz com a frase “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”) e o subtítulo “Tout est pardonné” (“Tudo está perdoado”) foi a capa da edição da revista posterior ao atentado.



2019 - Incêndio em Notre-Dame

Uma Notre-Dame coberta em cinzas. Este foi o resultado do desastre na famosa catedral gótica parisiense, num incêndio que deflagrou no final da tarde do dia 15 de abril de 2019. As chamas que lavraram durante 15 horas, não deram descanso aos cerca de 400 bombeiros presentes no local, que tentavam salvar 850 anos de história. A queda da agulha da catedral e do telhado foram as marcas mais evidentes desta tragédia que chocou o mundo.


A vaga dos refugiados

Na década de 2010-2020 assistiu-se a uma crise migratória na Europa. Os fluxos migratórios provenientes, essencialmente, da Síria, Somália, Afeganistão, Sudão do Sul e Birmânia ocorreram com maior intensidade a partir de 2015. Fugidos por guerras, intolerância religiosa, pobreza, mudanças climáticas, perseguições étnicas, políticas ou de nacionalidade, os povos procuraram outros países, dentro da Europa, para se fixar. O canal mais usado para chegar a este continente foi o Mar Mediterrâneo.


Moda


Street Style

A década de 2010 foi marcada pelo fenómeno do street style. Supreme, Palaca Stussy, Vetements, Hood by Air, Pyrex, Off-White e até a Yezzy são os principais representantes desse segmento, que passou de algo casual, para um estilo luxuoso e artístico. As ruas de todo o mundo tornaram-se na maior passarela para o estilo das celebridades.


2013 – Caiu o Rana Plaza em Bangladesh

Este acontecimento matou mais de mil pessoas que lá trabalhavam sob condições precárias, ao serviço de marcas fast fashion. Algo que se retirou desta tragédia foi o facto de que, a partir de então, surgirem movimentos ativistas globais como o Fashion Revolution, trazendo informação e incentivando os consumidores a participar ativamente na defesa da sustentabilidade.

Essa mudança de mindset foi a maior transformação no mundo da moda na década. Começou-se por pensar mais nas práticas de trabalho, nos direitos dos trabalhadores, na origem dos fornecedores, onde as peças são produzidas, no quanto se gasta de água e produz de lixo.


2019 – Fim dos desfiles da Victoria´s Secret

Nos últimos cinco anos, a busca por diversidade fez com que o luxo, tradicionalmente elitista e sem espaço para corpos não-magros. Houve uma necessária adpatação às exigências de uma nova geração de consumidores. No início da década, praticamente não haviam modelos negras nas passarelas e campanhas. Não havia outros tipos de beleza representadas, muito menos outros tipos de corpos que não os “magrérrimos”. Em 2019, a marca Victoria’s Secret marcou, para sempre, a sua história com o fim dos seus desfiles, ao demonstrar a inflexibilidade da marca em se adaptar aos novos tempos.



A década das influencers

Na década em que, mais do que nunca, as imagens valeram mais do que mil palavras. blogueiras e, posteriormente, “digital influencers”, tornaram-se as novas comunicadoras de um mundo onde a busca por uma boa fotografia em redes sociais se tornou mais importante que a própria vida real.


Ciência




2015 - Imagens surpreendentes de Plutão

9 anos e meio após o seu lançamento, a sonda “News Horizons” da NASA consegue captar imagens de Plutão. Desta investigação surgiram informações surpreendentes: Plutão não era afinal tão pequeno como se calculava e detém um oceano.






Década 2010 - Aquecimento global mais elevado

As alterações climáticas marcam a década 2010-2020. Segundo o relatório da Organização Mundial da Meteorologia (OMM), a cada dez anos, desde 1980, o mundo vai aumentando a temperatura global. O ano de 2019 pode vir a ser considerado o segundo ou terceiro ano mais quente desde 1850. Por outro lado, também a concentração de efeitos dos gases de estufa na atmosfera foi, em 2018, recordista numa época em que há a tentativa de reverter todo o cenário criado à volta do ambiente.




2019 - A primeira fotografia de um buraco negro

Após anos de ilustrações e desenhos, em 2019 foi finalmente conhecida a aparência real de um buraco negro. A fotografia foi conseguida graças ao projeto “Event Horizon Telescop” e aprentada num evento da Fundação Nacional de Ciências (NSF) e do European Southern Observatory (ESO).



Política


2010 - Primavera Árabe

Uma série de protestos anti-governo eclodiu nos países árabes do Norte da África e do Médio Oriente. O movimento começou em meados de 2010 na Tunísia e logo se alastrou para outros países como Egito, Líbia, Iémen, Síria e Bahrein. Foram impulsionados principalmente pela capacidade de mobilização das redes sociais. Em alguns lugares, as manifestações culminaram na queda dos regimes, como no Egito.



2015 - Acordo de Paris

O Acordo de Paris de 2015 é um marco histórico na luta pela redução das emissões globais de gases do efeito de estufa e, consequentemente, no combate ao aquecimento global. Passou a entrar em vigor em 2016, depois de ter sido ratificado por países responsáveis por mais de 55% das emissões. Atualmente, essa cobertura está em 96,91%.


Ascensão da direita nacionalista

A década foi marcada por um aumento de movimentos políticos de direita de cunho nacionalista. Um dos principais marcos foi a aprovação, em 2016, em referendo popular, da saída do Reino Unido da Europa, conhecido como Brexit. Os seus apoiadores têm justificativas económicas e nacionalistas, com um caráter anti-imigração.

Noutros países, partidos e políticos de direita e extrema-direita chegaram ao poder com um discurso semelhante: Viktor Orbán na Hungria (2010), Donald Trump nos Estados Unidos (2016) e Jair Bolsonaro no Brasil (2018).


Música


2012 - “Oppan Gangnam style”


O sul-coreano Psy fez as delícias do mundo com o seu ´hit´ Gangnam Style. Lançado em 2012, foi o vídeo mais visto da história do YouTube até 2017 e o primeiro a atingir os dez dígitos nesta plataforma online, com um bilhão de visualizações. Para além disso, foi considerado o recordista no número de “gostos” do Youtube, em setembro de 2012, pelo livro “Guiness World Records”.


As partidas

A década de 2010 foi marcada pela morte de músicos dos mais variados estilos musicais. Em 2013, a cantora Amy Winehouse faleceu vítima de abuso de álcool, com 27 anos, juntando-se ao malogrado “Clube dos 27”. O cantor norte-americano Prince faleceu após uma overdose acidental de droga, em abril de 2016. Nesse mesmo ano, David Bowie morreu devido a um cancro no fígado do qual padecia. O final do ano de 2016 foi ainda marcado pela morte de George Michael, no decorrer de uma insuficiência cardíaca. Chester Bennington, vocalista da banda “Linkin Park” cometeu o suicídio em 2017. Avicii perdeu a vida, em 2018, ao utilizar uma garrafa de champanhe partida para se auto-infligir até à morte. Em 2019, António Joaquim Fernandes, de nome artístico, Roberto Leal, perdeu a vida devido a um melanoma maligno.





2017 - Da arte à tragédia

Foram milhares de pessoas que se deslocaram, a 22 de maio de 2017, ao espaço Manchester Arena, em Inglaterra, para verem a atuação da cantora norte-americana Ariana Grande. Após o espetáculo, um homem bomba, pertencente ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, fez-se explodir e provocou 22 vítimas mortais. Duas semanas depois do atentado, Ariana Grande realizou um concerto solidário em memória do incidente para ajudar a Cruz Vermelha Britânica, que conseguiu angariar 2,35 milhões de libras.



Desporto


CR7, o segundo desportista mais bem pago do mundo

Cristiano Ronaldo ganhou 721,6 milhões de euros na última década. Só Floyd Mayweather, ex-pugilista, auferiu mais que o craque português.


Jogos Olímpicos 2012 e 2016

Londres 2012 – Portugal conseguiu vencer medalha de prata em canoagem (K2 1000m masculino), por Emanuel Silva e Fernando Pimenta.

Rio de Janeiro 2016 – Telma Monteiro vence medalha de bronze em Judo (- 57 kg).


Portugal ganha o Europeu de Futebol 2016

A final do Campeonato Europeu de 2016 foi disputada entre Portugal e a França, com os portugueses a saírem vitoriosos na prorrogação.



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