• Jéssica Gonçalves

Treino como fuga à nova realidade

Este não é mais um texto sobre a confinamento, eu juro. É um desabafo de como tem sido o fim deste. Já algumas coisas foram escritas sobre como tem sido desconfinar e os cuidados que não podemos descurar, mas eu, hoje, quero falar como tem sido o regresso ao exercício físico.


Ao contrário da maioria da população que se manteve ativa em casa nesta realidade que foi imposta, eu não consegui. Quer dizer, consegui manter-me ativa a culpabilizar-me por não treinar. Recorri ao Instagram e aos seus influenciadores para o exercício físico, diretos do Facebook ou até aplicações que me indicassem variados treinos para experimentar. Gostava de dizer que cumpri tudinho às mil maravilhas. Mas estaria a mentir. Os dias foram passando, a culpa da falta de treino aumentava e eu ia-me vingando em algumas caminhadas que fazia de vez em quando.


Entretanto, depois deste tempo em casa, chegou o dia e a “boa nova” de que os ginásios iam começar a reabrir e os treinos de campo começariam com as regras impostas para assegurar a segurança de todos. Fiquei feliz, porque iria voltar aos treinos de rugby, já que treinar em dentro das minhas quatro paredes foi um falhanço total. No entanto, tive medo. Assustou-me o regresso, após tanto tempo isolada em casa, por causa do vírus.


Para quem não sabe, o rugby exige um elevado contacto físico para ser praticado, então foi necessária uma readaptação. Iniciei com treinos ao ar livre, pé ante pé, com muita corrida e esforço físico. Mantive todas as distâncias de segurança, até que me senti pronta para enfrentar as superfícies e máquinas do treino indoor. Senti-me segura, desinfetante à porta, salas arejadas, tudo pronto para reabrir portas, mas o regresso faz-me sempre pensar no porquê de ter deixado de treinar. A quarentena limitou-me em termos físicos e emocionais, assim, deste modo, colocou-me também à prova.


Dias depois deste regresso aos treinos, penso no que me fez parar e na preguiça que tomou conta de mim. Tal como consegui conciliar os estudos, o tempo para ler ou ver séries, o tempo de sono, devia-me ter esforçado para conciliar o tempo para o exercício físico que tanto significa para mim. De olhos postos no futuro, tenho a garantia de ter em mim aquilo que me faz recomeçar a treinar, sabendo que não me vai fazer desistir.


0 comentário
Contacto
  • Facebook
  • Instagram
  • Ícone cinza LinkedIn
  • Grey Twitter Ícone
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now