• Patrícia Silva

System Of a Down: quando a nostalgia abanou o Pavilhão OAF Coimbra

System of a Down marcaram presença pela primeira vez em Coimbra no ano de 2002. Dezanove anos volvidos, quatro membros da audiência revivem o momento. Por Patrícia Silva


Fonte: Rolling Stone

They're trying to build a prison,

They're trying to build a prison (...)”


Gritou-se euforicamente assim que a banda arménio-americana System of a Down (SOAD) pisou o antigo OAF Coimbra, atual pavilhão Engenheiro Jorge Anjinho. O edifício localizado numa zona residencial do centro da cidade de Coimbra, habituado, até então, a atender maioritariamente eventos desportivos, abriu as portas ao 21º concerto da banda nesse ano.


Foi a 5 de março de 2002 que os conhecidos SOAD pisaram pela primeira – e última —vez as terras de D. Pedro e Inês de Castro. A 19 anos de distância, Bruno Costa, Hugo Caldeira, António Monteiro e David Fernandes recordam com saudosismo a data.















Fonte: David Fernandes

Bruno Costa, com 23 anos à data do concerto, tomou conhecimento do evento através de um amigo. “Na altura havia um bar de música alternativa em Coimbra, o “Buraco Negro”, onde se encontravam todos aqueles que gostavam desse tipo de música”, evoca, acrescentando que foi nesse mesmo local que soube da existência do acontecimento que o deixou “em êxtase”. De forma semelhante, António Monteiro, com 19 anos, viu a novidade surgir também num estabelecimento de Coimbra: “Descobri numa loja de música, que existia no 1º andar do Coimbra Shopping”. Em contraste, Hugo Caldeira, de 17 anos, teve essa informação, tal como David Fernandes, com 16 anos, através dos meios de comunicação.


A comoção geral relatada deve-se ao facto de Coimbra não ser, em 2002, destino de grandes espetáculos de bandas internacionais. “Não era muito normal haver concertos de bandas estrangeiras em Coimbra, fora as situações habituais, festas da cidade, latadas ou queimas”, relata Bruno Costa.


O próprio local de receção do concerto era “atípico”, uma vez que o Pavilhão do Estádio Universitário era o palco habitual das atuações da cidade. David Fernandes comenta que “na realidade o concerto ia para ser feito” naquele mesmo espaço, habituado a receber a celebração da latada.


O dia 5 do terceiro mês do ano de 2002 escurecia com normalidade na “cidade dos estudantes”, à exceção de uma concentração díspar de pessoas nas proximidades da zona Solum. Com a abertura das portas do recinto às 20:00h, Hugo Caldeira relembra ter-se deslocado ao local, na companhia de amigos, com duas horas de antecedência.


Bruno Costa refere ter chegado ao local com “uma hora e meia de antecedência” também na presença de um amigo. Quando estacionou o carro que soava “aos berros” a música dos System of a Down, perto do local, as pessoas que estavam no recinto “começaram a pedir para não desligar a música”, afirma. Neste compasso de espera para a entrada, comenta que viu pessoas no exterior, vindas do Algarve à procura de bilhete, uma vez que “não foram vendidos muitos pela dimensão do pavilhão”. Recorda também saudoso a oportunidade que teve de ver os membros da banda a jantar. “O pavilhão tinha um restaurante na zona das lojas e os SOAD estavam a jantar”, aborda, recordando o momento em que “o pessoal descobriu e foi para a janela do restaurante”, onde conseguiam ver a refeição do conjunto arménio-americano.


António Monteiro optou por ir para o espaço “15 a 30 minutos antes” acompanhado por colegas de curso. Em oposição aos restantes, David Fernandes marcou presença no local posteriormente à própria banda de abertura. “Fui em cima da hora, quase nem ouvi a banda de abertura”, recorda, relatando um pormenor caricato: “fui com mais três amigos, um deles vestia-se à beto e levou uma roupa minha para ficar mais bem enquadrado”.


Os “Dillinger Espape Plan” abriram a acústica do local. Mais tarde, a banda principal entrou no palco ao som de “Prison Song”, a primeira música do recém-lançado álbum “Toxicity”. Seguiram-se as composições “Know” e “War?”. “O concerto foi em grande parte dedicado ao novo álbum e tocaram uma cover de Pink Floyd e algumas músicas do 1º CD”, testemunhou António Monteiro.



Fonte: KAJDMFNR



“Perfeito”, “poderoso” e “exemplar” foram alguns dos adjetivos utilizados pelos entrevistados para a descrição do espetáculo que fora marcado por mosh pit. David Fernandes recorda uma das peripécias que ocorreram durante os empurrões da audiência: “Estava um rapaz com perto de dois metros no meio do mosh pit, mas sempre parado, sem se mexer, e num dos saltos, uma pessoa empurrou-me um pouco mais”, relata o episódio que acabou com uma “cabeçada no queixo desse rapaz”. O sucedido causou pânico a David que, como conta aliviado, teve a sorte do rapaz “não ter levado a mal”. Hugo Caldeira realça também esta prática como sendo um dos pormenores mais marcantes do concerto, caracterizando-a como “algo do outro mundo”.


Bruno Costa relata os sentimentos que fluíram ao longo da atuação, comparando-a indiretamente a um refúgio. “Poder ouvir as músicas ao vivo que adoras faz com que te abstraias de tudo e apenas te concentres em curtir o som”, confessou. David Fernandes elogiou a performance do vocalista, que, de acordo com o seu depoimento, “provou ser mesmo muito bom, com uma voz mesmo muito poderosa”. Hugo Caldeira opta por evocar a entrega da banda na exibição e António Monteiro destaca a qualidade instrumental da atuação: “tocaram bem e gostei bastante”.


Ainda que associado a sensações positivas, o espaço selecionado foi alvo de várias críticas por parte dos que fizeram parte da assistência. Hugo Caldeira salienta a acústica do pavilhão, que “abanava” durante o espetáculo. Bruno Costa menciona ainda os problemas de localização e o facto de o local ser “relativamente pequeno para este tipo de eventos”, face a ter sido construído para o desporto.


Embora os reparos negativos feitos ao antigo pavilhão OAF Coimbra, a experiência foi relatada por quem a viveu com nostalgia. António Monteiro considera a importância de este tipo de concertos voltar a acontecer na cidade do Mondego. “Seria bom voltar a colocar em Coimbra concertos de bandas internacionais alternativas”, finaliza.


A pandemia da Covid-19 forçou ao cancelamento e adiamento de centenas de espetáculos. Um dos eventos que sofreu cancelamento, e posterior remarcação, foi o VOA Heavy Rock, onde a banda arménio-americana vai atuar. As novas datas anunciadas são 16 e 17 de junho em Oeiras.


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