• Paulo Cardoso

Semeando o coronavírus

Foi um distrito que o coronavírus deixou descansado durante o Estado de Emergência, mas com o desconfinamento decidiu entrar por ali dentro. A partir de Viseu, onde ando meio confinado, tenho constatado que Lisboa é uma preocupação e um alerta. Qualquer pessoa fica aflita assim que vê um telejornal e lhe é, de forma súbita, dada a informação da crise do coronavírus. “Vários países fecham fronteiras com Portugal.” “Lisboa ultrapassa os 3 mil infetados.” “Vários presidentes de câmara do distrito de Lisboa pedem uma reunião urgente.”


É natural que, ao terminarem muitas das exceções criadas por causa do excesso do vírus em Portugal, o género humano saltasse para a rua. No entanto, não foi declarado cessar-fogo. O episódio pandémico continua a obrigar cautela e a lidar com novas estratégias, visando impedir que qualquer indesculpável se valha disto para semear o coronavírus. Mas as palavras não chegam. Ao evitar transformá-las em atos de proteção sanitária, a situação de descontrolo anda na Amadora, Sintra, Lisboa, Loures e no Algarve. A região de Lisboa e Vale do Tejo reúne (vejam só como isto deixou de estar calmo) 76% dos novos casos e, dos 52 municípios que a compõem, apenas cinco permanecem livres de confirmações.


A luta contra este inimigo ainda não terminou. Como em tudo, há seres que ainda não entenderam. Relaxados, vestem o blazer, calçam o sapatinho bonito com óculos de sol e seguem para as festas ilegais. Semear o vírus. Em Lagos, esta experiência fez crescer mais de 90 casos na tabela. E que mais temos por aí? Alguns, andam coladinhos uns aos outros nas esplanadas e há quem dê graças à desobediência permitida (porque não há multas neste caso) em utilizar a máscara nos espaços fechados. Estes exemplos de mau civismo, conjugados com a falta de uma boa comunicação sobre a situação pandémica, está a levar o país a falhar.


A intervenção do Governo é mais do que necessária. Não podemos deixar que andem por aí pessoas a prestar um serviço - à comunidade - irresponsável e assustador. Uma intervenção musculada com multas e detenções por faltas de respeito, não deve ser descartada. Ontem, a ministra da Justiça já deu um sinal nesse sentido. É bem-vindo. Mas é preciso mais. O nosso país não vai aguentar falhar muito mais.

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