• Jéssica Gonçalves

Santos (in)acabados

“Santo António já se acabou, o São Pedro está-se a acabar, São João, São João também já se está a finalizar”… Oh, ups! Parece que não é assim. Este ano, outra das coisas que a pandemia me tirou foi os santos. Uma das melhores épocas do ano.


Após a noite, que seria de Santo António, acordei e faltava-me qualquer coisa. Não eram horas de sono ou comida, faltava-me algo que eu não consiga compreender. Há quem goste do Natal, da Páscoa, das festas de verão,... Eu gosto dos Santos. Adoro esta época do ano, que sabe a pouco, devido à pandemia virulenta que abraçou Portugal.


Oh vírus, tiraste-me o fim do meu ano de finalista, tiraste-me a Páscoa que eu tanto gosto e agora também os Santos. Fica a recordação da preparação das Marchas de Santo António que eu tanto gosto, fica a recordação dos meses de ensaio e a preparação de coreografias, vestidos coloridos e acessórios que faziam na noite de atuação cada um dos elementos do grupo bilhar.


Podem pensar em Santos e associá-los às grandes festas das cidades grandes que se vêm na televisão, mas, para mim, a minha cidade chega e a festa que fazemos. Descer a avenida ao início da noite, quando o sol ainda mal se pôs, para, depois, mais tarde já a voltar a subir “arranjadinha” para marchar. Não marchar dali para fora, mas sim nas Marchas de Santo António.


O cheiro a sardinha assada envolve o ar mal se chega ao recinto. Entre uns olás aqui e uns sorrisos ali sigo caminho até ao ponto de encontro para trocar de roupa. Mediante o tema escolhido para a marcha, ditavam-se as cores dos vestidos ou da maquilhagem a usar. Depois de algum tempo de preparação, começavam as dores de barriga de nervosismo e os últimos pormenores eram ajustados.

Começava-se a percorrer avenida acima. Entre público, outros grupos ou o fotógrafo que registava os momentos altos da noite. O tempo, que antecedia a atuação, era de grande algazarra. Até que chegava o momento da atuação e, em pouco mais do que quatro minutos, se desvanecia o trabalho de meses. Assim até parece pouco, mas aquele momento de glória vale por cada segundo de preparação antes das marchas.


Com o cessar do ritmo da marcha é esperar. Esperar pelo próximo ano. Se, em 2019, soubesse que este ano não havia marchas tinha repetido tudo mil e uma vezes, só para poder sorrir e fazer aquilo que tanto gosto.

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