Portugal desconfinado

A partir do dia 4 de maio, o nosso país começou a viver uma nova realidade depois de um longo período de “clausura”. Desconfinamento é, agora, uma das palavras mais usadas no dia-a-dia, sobretudo pelos responsáveis e dirigentes políticos e pelas principais figuras da Saúde.


De todas as aberturas que se iniciaram, a que, provavelmente, foi recebida com mais sorrisos nos lábios foi a do pequeno comércio e serviços. Finalmente, muita gente conseguiu ir cortar o cabelo (depois de ter crescido um “pouco” durante a quarentena), arranjar as unhas ou saborear um belo café nas nossas relaxantes esplanadas.


Trata-se de enfrentar uma nova realidade, o que, obviamente, não é fácil. Primeiro, porque a obrigatoriedade de confinamento continua para as pessoas doentes ou com necessidades de vigilância ativa. Segundo, porque, apesar de, teoricamente, a pandemia estar controlada, aqui em Portugal, o vírus continua aí e há de continuar, por muito tempo. A ideia é conseguirmos conviver com ele. Adaptarmo-nos, todos, para que possamos trabalhar de acordo com as orientações que são recomendadas. Assim, é possível, juntos, vencermos este desafio.


Virá uma segunda vaga e Portugal terá que se refugiar novamente em casa? Ou o pior já passou? Esperemos que seja a segunda hipótese.

Mas, já agora, uma questão muito peculiar, relativamente às creches e infantários, é a de que como é que é possível evitar os ajuntamentos de crianças nos intervalos, o distanciamento “obrigatório”? Também difícil, senão mesmo impossível, é manter os mesmos requisitos nas Escolas Básicas. Por isso e porque, obviamente, o medo ainda consome grande parte da população, é que a família pode optar pelo seu encarregando continuar em casa, recebendo o apoio familiar. Com a certeza que foi um alívio para os pais que, com toda a legitimidade, consideram a reabertura das escolas um perigo para os filhos. Muitas vezes, não apenas por eles, mas porque em casa têm também familiares mais velhos, mais debilitados e que não possuem tantas defesas imunitárias.


Fonte: Visão
Fonte: Visão

Outra grande novidade foi a das aulas online, “e-learning”, uma realidade já existente no pré-pandemia em alguns países, nomeadamente no Brasil, mas que, em Portugal, ainda não tinha vingado. “Assim é melhor, mais cómodo”, dizem uns. “A aprendizagem não se realiza tão bem, à distância”, dizem outros. Bem, tal como tudo, existem argumentos bastante válidos a favor e contra o ensino à distância, no entanto, a verdade é que foi a melhor forma que se arranjou para não se paralisar ainda mais o país que já tendia à estagnação.


Trata-se de enfrentar uma nova realidade, o que, obviamente, não é fácil.

Agora já começam a haver algumas aulas presenciais, obviamente, com todos os cuidados necessários. Mas, pergunto-me, mesmo com um abrandamento do perigo do contágio, voltará a escola “física” a retomar a importância e o papel que tinha antes? Ficará implementado o virtual como “regra” e o presencial como exceção? Apenas o tempo o dirá, assim como apenas o tempo irá estabelecer a nossa realidade nos próximos tempos. Virá uma segunda vaga e Portugal terá que se refugiar novamente em casa? Ou o pior já passou? Esperemos que seja a segunda hipótese.


Acima de tudo, o que convém estar sempre presente, em cada um de nós, é o papel que podemos ter para, como verdadeiros agentes de saúde pública, contribuirmos o máximo possível para o que todos queremos: a normalização da nossa vida em sociedade. Protejam-se, protejam os outros, protejam Portugal.


Fonte: ECO - SAPO
Fonte: ECO - SAPO

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