Pesadelo na casinha

Fonte: SIC Notícias

"Um rim e meio, por favor"


É esta a frase que, sem escrúpulos, os senhorios proferem a pobres e inocentes jovens (no sentido literal da palavra), anualmente, pelos últimos raios de sol de setembro. Se outrora frequentar a universidade era considerado um luxo, atualmente, e face aos preços absurdos praticados nas casas que acolhem estudantes, só se licencia quem ganhou, no mínimo, dois ou três euromilhões.


Longe de casa, os pais dos jovens veem-se obrigados a ceder aos valores exorbitantes de quartos, que, na realidade - nem deveriam ter essa designação - muito menos ser a essas quantias. Cubículos sem janelas, onde dois colchões sobrepostos servem de cama, e onde ter uma varanda (privilégio só para quem tem posses) custa mais do que efetivamente custou a fazê-la, estão espalhados por todas as cidades universitárias.


Os preços são justificados por inúmeras razões. As mais utilizadas são a localização dos imóveis, distanciados a meia hora da universidade, as promessas de limpezas dia-sim dia-sim, e as condições (mínimas) da casa totalmente equipada, mas onde só metade dos eletrodomésticos se encontram realmente funcionais.


O apoio dos senhorios é outra das justificações para as quantias pedidas. “Qualquer problema, resolverei com prontidão”, é a frase feita utilizada por todos.Todavia, quando a fechadura já enferrujada, devido às décadas de uso, deixa de funcionar, fogem das responsabilidades, tal como D.Pedro VI e a família fizeram ao embarcar para o Brasil.


Burlados, com o seu próprio consentimento, e fechados em quartos semelhantes a penitenciárias, os jovens são ainda confrontados com uma série de regras que devem cumprir à risca. Esta é a única forma de não serem despejados da “barraca” a que muitas vezes chamam casa.


Em cima de tudo isto, e porque nem tudo é mau, os jovens cultivam a nova "tendência" dos pobres, o conhecido co-living (ato de partilhar casa com estranhos). Isto porque a vida é sempre mais bela ao ser partilhada, especialmente com pessoas que "nunca vimos mais gordas", e com as quais não há a opção de as colocar fora das suas casas, visto que a partilham.


Aproveitamento ou inteligência? Há muitas formas de caracterizar este fenómeno. Contudo, é certo que, com todas estas condições precárias, fechados em quartos sem luz natural, longe dos familiares e amigos, todo este conceito se assemelha muito a um qualquer reality show dos canais generalistas,com a desvantagem de, ao invés de ganharem mini-fortunas, as têm de pagar em rendas.

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