• Catarina Magalhães

Os acordes que comandam a vida

A paixão pela música é algo que assusta, mesmo aos que querem perseguir o sonho desde pequenos. Eliana Magalhães, natural de Valpaços, não deixou fugir essa oportunidade. Com 30 anos, já integrou diversas orquestras e tocou com diversos nomes nacionais e internacionais, como Simone de Oliveira. Apesar de considerar que é necessário “educar” o público para outros estilos, a violinista considera que ainda vale a pena estudar música em Portugal, uma vez que o “nível de ensino subiu muito”. Sente que integrar uma orquestra “é uma sensação incrível de pertença a algo transcendente”.


Quando começaste a ter o bichinho pela música?


Desde pequena que cresci com um piano em casa, pelo que tive curiosidade em saber tocá-lo decentemente e pedi aos meus pais para começar a ter aulas de música.


O que te levou a escolher esse instrumento?


A minha frequência da escola de música levou a que descobrisse outros instrumentos, nomeadamente o violino, pelo que acabei por me apaixonar pelo som deste instrumento e a começar a ter também aulas de violino, para além do piano.

Fotografia gentilmente cedida por Eliana Magalhães

O que o torna diferente?


Para além da peculiar sonoridade do instrumento, destacaria talvez o facto da aprendizagem do violino ser muito baseada no trabalho diário, para conseguir transmitir para a música uma identidade própria e conseguir que o instrumento soe bem, tanto a solo, como em conjunto, como é o caso, por exemplo, de tocar em orquestra.


Como é que entraste para a orquestra?


Tirei a licenciatura em instrumentista de orquestra e fui membro da Orquestra ARTAVE, APROARTE, Académica Metropolitana e Sinfónica Metropolitana, mas já toquei como artista convidada em várias orquestras tais como: a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Sinfonietta de Ponta Delgada, a Orquestra do Algarve e a Lisbon Film Orchestra. Tive, ainda, a oportunidade de tocar com Orquestra de Macau, em 2012 e, em 2013, com a Orquestra de cordas Civitas Musicae de Calahorra (Espanha).


Qual é a sensação de tocar numa orquestra?


É uma sensação incrível de pertença a algo transcendente. É muito bom fazer música em conjunto, viver a música para aquele momento em que é apresentada ao público, sendo que nenhum concerto é igual.


Que trabalhos ou concertos costumam fazer?


Normalmente costumo fazer concertos de música clássica, mas também já trabalhei em gravações de CD, em vários programas na televisão - neste formato, normalmente, a acompanhar artistas mais conhecidos de outros géneros musicais, entre outros eventos.


Qual foi ou é a personalidade para a qual mais te sentiste orgulhosa de tocar?


No género clássico, adorei tocar com o violinista Augustin Dumay, e ter aulas com o professor Alexei Mijlin e Ilya Grubert. Gostei também muito de tocar em concerto com o Tim dos Xutos e Pontapés, com a Marisa Liz dos Amor Electro e com a grande Simone de Oliveira. Não só por me fazerem sair da zona de conforto a nível do género musical, mas também pela boa disposição da parte de todos.


Achas que o trabalho dos músicos é valorizado ou só os vocalistas conseguem ter maior visibilidade perante o público?


Acho que os músicos do género clássico deveriam ser mais valorizados. Só os grandes solistas internacionais conseguem ter mais visibilidade perante o público, mas nada como os artistas do pop ou rock.

Fotografia gentilmente cedida por Eliana Magalhães

Qual é a tua história mais marcante, enquanto artista?


Adorei tocar com a Orquestra de Macau, quando estiveram em Portugal, em digressão. Foi uma sensação muito boa tocar como artista convidada com aqueles músicos tão bons.


O que é que a música transmite que outras artes não fazem da mesma forma?


Talvez a possibilidade de expressão que vai para além das palavras, algo mais íntimo e, por vezes, mais cru. Interpretações diferentes de uma mesma obra, que ganham um cunho pessoal de determinado músico quando este a interpreta, deixando parte de si na sua interpretação. Além da beleza de o público assistir ao vivo a algo que está a ser feito naquele momento e nunca mais vai ser vivido de forma igual em intensidade e emoção.


Julgas que vale a pena estudar e ficar a trabalhar na música em Portugal?


Acho que sim. O nível do ensino da música em Portugal subiu muito e, neste momento, temos muitos músicos com grande qualidade a trabalhar em Portugal, para além do crescimento de eventos culturais em que é possível um músico apresentar-se de formas diferentes com o seu instrumento. Claro que o país ainda pode crescer muito mais culturalmente e é preciso educar o público para assistir a concertos e apreciar géneros musicais, que não ouvem tão frequentemente.


Nunca pensaste em voar para outros palcos?


Sim, mas dediquei-me muito ao ensino da música e fui ficando. Para além de que tenho feito imensos projetos diferentes, nos quais tenho gostado muito de participar.


Qual é o teu conselho para aqueles que querem ingressar neste mundo?


O meu conselho é que sejam sempre persistentes, porque estudar música é uma luta diária com o instrumento e com o aperfeiçoar de vários aspetos - tanto musicais, como técnicos - que, por vezes, não saem à primeira e se tornam necessários de trabalhar. Mas tudo isto vale a pena, quando se consegue dominar decentemente o instrumento e transmitir alguma coisa a nós próprios e a quem nos ouve, assim como é muito bom fazer algo com paixão e... a música é apaixonante.

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