• Paulo Cardoso

Obra de cosmética

Todos os dias se ouvem os Donos Disto Tudo (DDT) e os cidadãos do povo a aludir à requalificação da estrada da morte portuguesa. Este itinerário já torrou milhares de euros em projetos de reconstrução que vão pela Barragem da Aguieira abaixo. Com uma extensão de 279 quilómetros, o troço entre a cidade-jardim e a cidade dos estudantes apresenta ameaças rodoviárias (de rir) desde a sua inauguração… em 1985. O que tem sido feito? Muito pouco. Umas obras de cosmética. Onde está a preocupação pelos utentes da via? Nos buracos e no papel. Vivemos dias em que os Ministros do (Des)Investimento anunciam “uma estrada inteligente” e com uma “tecnologia 5G”!


Caro leitor, (caso não saiba) de Lisboa a Viseu ninguém consegue falar ao telefone sem interrupções (a rede telefónica faz bastantes birras). Agora, os DDT querem 75 quilómetros de reconstrução de uma rede de Wi-Fi excelentíssima? A cada dia, abatem-se plataformas e com os carrinhos a passar, o pavimento fica em pior estado. Se a segurança das rodas não está garantida e muitas pessoas já derrubaram barreiras e morreram neste Itinerário, as obras de cosmética vão significar mais segurança? É que só se veem novos tapetes de alcatrão.


A estrada está embebida numa natureza de cortar a respiração. Pela luz do brilho das águas do Mondego, as paisagens escurecem com o perigo da estrada e as pedras assistem imóveis ao encerrar de muitos destinos. Há urgência num debate sobre a responsabilidade pelos mais de 600 acidentes da via, numa luta contra, como diz o Jornal Sol, as 24 mortes dos últimos nove anos. Estas pessoas sofreram com a incompetência da empresa denominada de Infraestruturas de Portugal. Esperava-se mais verdade e aprendizagem com as almas perdidas. Percorre pelos municípios uma sensação de angústia, com origem no pouco que está a ser feito. Ora são as promessas de novas faixas de rodagens em que os projetos não são conhecidos. Ora os trabalhos decorrem numa extrema lentidão… Ora ninguém sabe uma data final para a conclusão do asfaltamento de cosmética.


Este é um projeto relevante para a coesão territorial e as regiões não tomam esta obra como perdida para sempre. Quando começa a duplicação da via que foi prometida? Tantos anos depois, a noção de “perigo de morte” continua a ser associada ao traçado do IP3. Todos nós, que percorremos a via, temos de respirar de alívio ao chegar ao destino.


Nenhum projeto da duplicação está no terreno, consoante a Estratégia da IP. Fonte: Renascença

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