• Catarina Magalhães

O Sermão de Santo António ao teletrabalho

Atualizado: 24 de Mai de 2020

De repente, chegou o vírus. Covid-19 infetou todas as narrativas e setores que faziam da sociedade aquilo que ela é. Ou era.


Um dos sintomas secundários foi (além de recomendação) o afastamento social. Os locais de trabalho foram trocados pelas paredes de nossa casa. Um despertador que pode tocar a 5 minutos da próxima reunião que já estava marcada.


Contudo, apesar da mudança geográfica, o dia não passou a ter mais do que 24 horas. As tarefas, além das habituais responsabilidades, exigem, agora, uma multiplicação de membros e uma gestão desumana dos 1440 minutos, 86 400 segundos.


Muitas empresas perceberam que a produtividade pode não sair afetada, mas a sanidade mental pode ser a principal baixa. Mesmo com o processo de desconfinamento, o “sal”, alegoricamente utilizado pelo pregador - vos estis sal terrae -, não é suficiente para impedir as mentes que se sentem assoberbadas pela nova rotina, que está totalmente dependente da tecnologia.


Como, na verdade, já estava antes


Mesmo no ensino, os alunos têm sofrido com estas novas adaptações. Não obstante alguns já tenham regressado, a rotina não é a mesma. E, para muitos, o último ano não terá um final digno. Contudo, tal também acontece no ensino superior, cujos trabalhos que, muitas vezes, pareciam difíceis de concretizar no tempo definido, agora, se multiplicam pelo número de braços que não têm.


Em suma, o coronavírus veio, tal como o sermão, alertar as nossas consciências para alguns comportamentos que estavam mal. Deu ainda mais sentido ao provérbio de que só damos valor às coisas, quando as perdemos. E, atualmente, com o teletrabalho, ganha-se o tempo das deslocações, mas perde-se o contacto. O toque. A proximidade que ainda vai demorar a chegar….



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