• Catarina Magalhães

O pontapé de entrada no jornalismo

Atualizado: 10 de Jan de 2020

Com 25 anos, Daniel Filipe, natural de Penalva de Alva, trabalha, há cinco meses, no Canal 11. Trata-se do mais recente canal do panorama futebolístico nacional, sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Acredita que “a faculdade é um workshop e só quando entramos no mercado de trabalho é que começa a sério”. Depois de um percurso no Diário de Coimbra e na Televisão da Associação Académica de Coimbra (tvAAC), o jornalista faz a cobertura de “tudo a que esteja ligado a uma bola que se jogue com os pés”. Sublinha que “o medo é o nosso pior inimigo” e instiga os jovens a arriscar e a envolverem-se em projetos.


Como surgiu a tua ligação com o jornalismo?


Por muito estranho que possa parecer, para mim, agora, quando estava no ensino secundário nem queria vir para a universidade. Estava um bocado perdido. No entanto, com a necessidade de ter um rumo para a minha vida, decidi arriscar e vir para a Universidade. Quando procurei um curso, Jornalismo e Comunicação foram as minhas primeiras opções. Concorri, mas, infelizmente, só consegui entrar na terceira opção - Antropologia. O curso é interessante, aprendi imenso, mas não era aquilo onde eu queria trabalhar. Frequentei durante um ano e, depois, fiz mudança de curso. Portanto, o meu contacto com o jornalismo foi só mesmo quando cheguei à Universidade. Sempre fui muito comunicativo, falo pelos cotovelos e, então, na minha inocência, achei que era bom a lidar com pessoas e arrisquei por aí.


Durante o curso de jornalismo, como percebeste que era esse o caminho certo?


Ainda hoje, não sei se foi a escolha certa. A verdade é que gostei do curso. Acho que tem muita coisa por onde pode melhorar, mas tem a base que precisamos. O caminho certo… não sei se foi. Se estou neste momento a trabalhar na área, pouco se deveu ao curso, mas sim ao que eu fiz paralelamente ao curso. Vamos ver com o tempo! (confessa)


E que outras atividades fizeste, além da tvAAC e do Diário de Coimbra?


Essas foram as principais e as que me deram toda a bagagem e nas quais dediquei mais tempo e esforço. Além dessas, apenas estive em eventos pontuais de voluntariado e, na minha opinião, não muito direcionados para o jornalismo.


Fotografia gentilmente cedida por Daniel Filipe

Como é que começou a tua caminhada na tvAAC?


Todos os anos os alunos mais velhos, que fazem parte da direção da tvAAC, tentam captar alunos e pessoas para a secção. O presidente da secção na altura, Pedro Gonçalves Santos, em conversa, desafiou-me a ir para lá e acabei por me inscrever.




E a ligação ao Diário de Coimbra?


No caso do Diário de Coimbra foi curioso. Numa futebolada com antigos alunos do curso, que já estavam a trabalhar no jornal, referi que, durante a minha formação, joguei futebol numa equipa da minha zona. Como era uma equipa que o jornal queria acompanhar e não tinha ninguém, o Luis André Freixo (jornalista do Diário de Coimbra) convidou-me para escrever as crónicas desse clube, no respetivo campeonato, para o jornal. Era aluno do primeiro ano e, naturalmente, aceitei.


Essas ligações mantêm-se, mesmo já estando a trabalhar na área?


No caso da tvAAC, sim. Ainda sou Presidente da Mesa do Plenário e, como tenho lá grandes amigos, nomeadamente, o Presidente da Secção, António Cerca, ainda costumo ajudar sempre que posso. Sinto-me bem lá e, como estou a trabalhar em Coimbra, torna-se mais fácil estar presente. No caso do Diário de Coimbra, perdi a ligação, até porque o meu trabalho não me permite, por várias razões.


E como é que o Canal 11 entrou na tua vida?


De uma forma muito rápida. Estávamos em inícios de julho e o Luís André Freixo ligou-me a falar do projeto. Estavam à procura de alguém, para ser o correspondente do canal na zona centro. Disse-me para enviar o meu currículo, para a pessoa responsável da parte da FPF. Ligaram-me e ficou combinado ir à cidade do futebol conversar com eles. Fui lá, gostei do ambiente, conversei com eles e, posteriormente, disseram que me diziam alguma coisa. Dois ou três dias depois, ligaram-me a dizer que queriam contar comigo. Fiquei muito contente e com a certeza de que seria um desafio enorme.


Fotografia gentilmente cedida por Daniel Filipe

E está a ser um “desafio enorme”?


Completamente. Um desafio que eu próprio não estava à espera. Tenho aprendido imenso e, quando pensava que sabia construir uma peça, e, trabalhar, minimamente, em televisão acabamos por perceber que não sabemos nada. A tvAAC deu me as bases, mas é agora que todos os dias me tenho superado. O início foi difícil, porque estava a trabalhar à distância, mas, agora, já estão os automatismos mais ou menos orientados e já consigo trabalhar normalmente. Se não fosse o Diário de Coimbra e a tvAAC, hoje não estava no Canal 11.


Quais foram as maiores dificuldades? Sentiste muita diferença entre o ‘meio académico’ e o profissional?


As maiores dificuldades foram perceber como é que funcionava uma televisão profissional. Não estava familiarizado com o meio, pelo que acabei por ter de aprender. Trabalho com pessoas que já tem alguns anos de experiência e eu era o "rookie" do canal, estava um bocado perdido. A faculdade não nos ensina nada, dá umas luzes mas não prepara minimamente para o ambiente profissional. Se eu não tivesse ido para a tvAAC ainda estaria pior e não estava a trabalhar. Tenho 100% certeza disso. A realidade é outra e muito mais exigente. A faculdade é um workshop e só quando entramos no mercado de trabalho é que começa a sério.


O que é que tem sido mais desafiante?


O Canal 11 é um projeto com o qual me identifico e, então, estou a adorar. O maior desafio é cada vez fazer melhor. Melhores peças, melhores diretos. Melhorar em todos os aspetos. Fazer diretos ainda me custa, por falta de treino e prática, mas acho que, com o tempo, tudo se consegue. No que diz respeito, às reportagens já consegui fazer coisas das quais me orgulho, mas ainda não estou satisfeito. Nem sei se alguma vez vou estar. Acho que estes cinco meses no canal têm sido o maior desafio que abracei até agora.


Concretamente, quais são as funções que desempenhas no canal? O que tens de cobrir?


Sou jornalista. O canal é da FPF, então, faço cobertura de jogos de futebol, futsal e futebol de praia. Contamos histórias de pessoas, adeptos, jogadores, dirigentes, de tudo o que esteja ligado a uma bola que se jogue com os pés.


Qual foi o episódio mais caricato que tiveste, ao longo dos cinco meses, no canal?


Ainda não me aconteceu nada fora da caixa, mas os diretos são sempre algo que me deixa muito nervoso. Talvez o episódio que não esqueço foi a minha primeira Flash Interview, que correu muito mal. No jogo entre as Águias do Moradal e o Vitória de Setúbal, para a Taça de Portugal, fiz a flash no final, com os jogadores e treinadores, e enrolei-me todo a falar. Só disse porcaria e nem o direto soube fechar. Na régie, ouvi a produtora dizer ‘Ai, valha-me deus, Daniel’ e o camera (que não conhecia) estava-se a rir. Ficou marcado, mas são coisas que recordo e que me obrigam a preparar melhor. Serviu para aprender.


Quais são os conselhos que deixas para quem, no futuro, quer ingressar na área?


Eu não tenho experiência para dar conselhos. O que posso dizer é que temos de lutar pelo que queremos. Aos alunos que estão a frequentar uma licenciatura em Comunicação ou Jornalismo, o maior conselho que posso deixar é: participem em coisas. Inscrevam-se em formações, participem em jornais, revistas, projetos multimédia. No caso de Coimbra, inscrevam-se no Jornal A Cabra, na Rádio Universidade de Coimbra e, claro, na tvAAC. São iniciativas que vos colocam no meio de trabalho. Começam a lidar com jornalistas, percebem o bom e o mau da profissão e permitem que vocês errem. Um aluno de jornalismo que faz o curso e não faz mais nada vai estar muito menos preparado do que outro que faz coisas. Temos de ser dinâmicos e pró-ativos. Só assim conseguimos estar perto de ser melhores jornalistas e, sobretudo, pessoas. Não tenham medo, porque o medo é o nosso pior inimigo.

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