• Mafalda Pereira

O essencial a uma porta de distância

Num momento em que “pandemia” é a palavra de ordem, muitos são os projetos comunitários que têm surgido nas redes sociais - iniciativas que visam proteger os que correm maior risco de doença por COVID-19 (idosos e pessoas com doenças crónicas). Foi desta linha de atuação que nasceu o movimento “Vizinho Amigo”, com a principal missão de fazer chegar a casa dos que correm maior perigo de contágio os bens essenciais.


Nas palavras de um dos integrantes deste movimento, o projeto desenvolvido entre amigos teve um alcance inesperado - somente “num dia de questionário aberto obtivemos 3 mil respostas (…) acho que isso é sinal de que estamos todos juntos nesta luta e de que a conseguiremos vencer.”

Em que consiste o “Vizinho Amigo”?


O “Vizinho Amigo” é um movimento criado com o intenção de atuar em todo o país e surgiu no seguimento do COVID-19. O principal objetivo é evitar que as pessoas que pertencem a um grupo de risco saiam à rua. Desta forma, pretende-se que nós, jovens saudáveis, façamos as compras necessárias em vez dos idosos, de modo a protegê-los de um possível contágio. Entrámos em contacto com a DGS e disseram-nos que este era um projeto viável, mas que teríamos sempre que ter as devidas precauções.


Como surgiu esta ideia?


Surgiu assim que o novo coronavírus foi declarado como pandemia. Não quisemos ficar indiferentes a esta situação. Ficar em casa sem fazer nada é muito fácil - o problema é criar algo que ajude os outros e que combata estas condições. Foi a pensar desta forma que surgiu a ideia.


Quem está por detrás desta iniciativa?


Somos um grupo de jovens, maioritariamente da zona de Lisboa, e alguns de nós já têm experiência em organização de voluntariado. Ao todo somos 10, mas contamos com a participação de mais de duas dezenas de pessoas.


Que mensagem pretendem transmitir através deste movimento?


A mensagem de que o nosso povo é bem mais do que aquilo que se diz. Acreditem ou não, em apenas um dia de questionário aberto obtivemos 3 mil respostas e temos recebido imensas mensagens no nosso Instagram. Acho que isso é sinal de que estamos todos juntos nesta luta e de que a conseguiremos vencer.


Fonte: Instagram @vizinho_amigo_

Como é que alguém se pode juntar a este projeto?


Neste momento temos um questionário disponível na biografia do Instagram do “Vizinho Amigo”, onde qualquer um se pode inscrever. Estamos a dividir as pessoas por distritos e, em Lisboa e no Porto, por freguesias. Depois do questionário ser feito, é enviado um e-mail a todos os voluntários que, para além de dar as boas vindas ao movimento, explica muito bem em que é que ele consiste. Disponibilizamos o nosso cartaz para os voluntários imprimirem e afixarem na vizinhança e enviamos, também, as recomendações da DGS.


Torna-se um pouco difícil disponibilizar às mais de 3 mil pessoas que se voluntariaram e, por isso, vamos tentar focar-nos nos locais onde obtivemos mais respostas, ou seja, na zona de Lisboa e do Porto. Também tentamos passar a mensagem de que os próprios voluntários se podem dirigir às juntas de freguesia e dar a conhecer este projeto. Caso as entidades queiram entrar em contacto connosco, estamos disponíveis.


"Gostaríamos muito que este movimento se tornasse em algo grandioso e que qualquer pessoa que passasse na rua e visse um cartaz nosso soubesse que há alguém disposto a ajudar."

Como vai ser feito o contacto entre os jovens e os idosos?


As juntas serão uma hipótese e, depois, os cartazes. A nossa ideia é tentar afixar o maior número de cartazes possível, para que as pessoas notem que há alguém disposto a ajudá-las.


Para além das compras, procuram ter outras áreas de atuação?


Queremos que os idosos tenham acesso bens necessários para a vida, como a alimentação, os produtos básicos do supermercado e medicamentos.


Esperavam que este movimento conseguisse tanta a adesão? Como interpretam a grande partilha que a vossa página obteve?


O número de voluntários, neste momento, ultrapassa os 3 mil e trezentos. Não estávamos à espera, nem de perto nem de longe, de alcançar estes números. Pensávamos que ia ser um projeto desenvolvido entre amigos, aqui na zona de Lisboa e, mesmo assim, íamos ver se conseguíamos. Não estávamos, de todo, à espera disto e até agora o feedbak tem sido incrível, as pessoas têm-nos agradecido imenso. Estamos todos a ser solidários por uma causa maior.


Já tivemos muitas pessoas com algum reconhecimento, como atores e apresentadores, a fazer menções do “Vizinho Amigo” nos stories e isso revela que não há elites, não há nada, estamos todos por um.

Fonte: Instagram @vizinho_amigo_



Estão a cumprir as recomendações da DGS? A vossa rotina mudou muito?


Basicamente toda a equipa está em casa e contactamos por chamadas via Skype, é a nossa forma de tratar do projeto. Alguns têm aulas virtuais, portanto vamos intercalando as funções. 







Em nome do “Vizinho Amigo”, queres acrescentar algumas palavras?


Quero apelar a que todas as pessoas continuem a inscrever-se, porque nunca há voluntários a mais. Gostaríamos muito que este movimento se tornasse algo grandioso e que qualquer pessoa que passasse na rua e visse um cartaz nosso soubesse que há alguém disposto a ajudar.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo