• Jéssica Gonçalves

O Adeus inadiável

Com o fim de uma época festiva, a partida acontece e chega a hora de mais uma despedida. Acabam-se as férias e os emigrantes que visitaram as suas famílias, nesta altura, estão de volta à vida “real”. A vida de emigrante. Os motivos que os levam a optar por esta vida dependem de caso para caso. O mote será a procura de uma vida diferente, melhores salários, condições de vida que no seu país de origem não conseguiram alcançar. Felizmente não sou emigrante, mas sei o que é ter no coração saudades da família que mora longe.


Quanto mais passa o tempo, menos emigrantes há. Segundo o Jornal de Negócios, o pico da emigração em Portugal deu-se no ano 2013 e a partir daí foi diminuindo. Em 2017, o número de emigrantes ficou-se pelos 90 mil, menos 10 mil do que em 2016. Um número que pode não significar nada ou, ao mesmo tempo, significar tudo. A meu ver, talvez uma melhoria no sistema económico fixou mais gente, ou menos pessoas tenham simplesmente optado por ficar. É um binómio ao qual não tenho respostas.


Neste grupo de pessoas que, mesmo assim, procuram melhores condições de vida, já não se cingem só as que estão na casa dos 40 anos que não arranjam trabalho em Portugal, mas sim também jovens licenciados que veem no estrangeiro as oportunidades de se realizarem. Sinto, cada vez mais, que quando termina a universidade é necessário ter 10 anos de experiência. Parece que fecham as portas ao jovens, levando-os a emigrar.


Quando não há outra hipótese senão recorrer à mudança de país, para alcançar uma vida melhor, fica a família que espera ansiosamente por mais um reencontro. Levam na mala o carinho, amor e conforto das férias que esperam durar o máximo possível. De ano a ano, natal em natal, ou verão em verão, dependendo da época ou oportunidade, é o tempo que separa mais um abraço e conforto. Fica-se, assim, confinado à tecnologia que aproxima o que milhares de quilómetros separam. Este avanço tecnológico permite que hajam conversas por horas, que confortam as saudades dentro do possível, mas fica a faltar o abraço, o toque, o que só frente a frente se consegue dar.


No final, fica a esperança. O acreditar que, um dia, as despedidas acabam, mas, enquanto assim não for, mais oportunidades vão chegar, mais natais, verões, ou viagens para matar saudades. O tempo vai parecer sempre pouco, mas se for bem aproveitado, vai ser o que é preciso.


Fotografia: Jéssica Gonçalves


0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
Contacto
  • Facebook
  • Instagram
  • Ícone cinza LinkedIn
  • Grey Twitter Ícone
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now