• Catarina Félix

Não estás sozinh@


“Idiota! Ups, sentiste-te ofendido? E magoado? Queres saber a minha opinião? Não quero saber de ti para nada. E agora, sentes-te melhor?”. Um ato verbal, “um idiota” - a vítima -, e um agressor consciente ou inconsciente.


Fonte: life.dn.pt


Já sofreste de bullying? Certamente que sim. Se não sofreste, acredito que conheces alguém que já sofreu ou que já o praticou. O bullying é um género de comportamento agressivo e humilhante, violência física, psicológica ou ambas, que gera transtornos na vida social das pessoas, podendo deixar essas vítimas em estados depressivos. Por norma, este comportamento praticado envolve um desequilíbrio de poder. A maioria dos casos incide nas diferenças sociais em relação a pessoas com deficiência e, também, no aspeto físico.


Este género de violência está presente em quase todas as faixas etárias, sendo as crianças e os adolescentes mais afetados. Além de um possível isolamento ou redução do rendimento escolar, os jovens que passam por agressões ou difamações podem sofrer algum tipo de trauma que influencie o seu caráter. Em casos extremos, o bullying pode afetar o estado emocional de um adolescente de tal forma que este pode optar por soluções drásticas, como, por exemplo, o suicídio.


Há três semanas, 19 de fevereiro, um vídeo de uma criança de 9 anos tornou-se viral após, num ato de desespero, ter pedido à mãe uma corda para se matar. Quaden Bayles nasceu com acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, em que os braços e as pernas são desproporcionais ao resto do corpo. Esta criança sofreu de bullying na escola onde estuda em Brisbane, na Austrália. Após a divulgação do vídeo, por parte da mãe, a discussão reacendeu-se e muitas foram as figuras públicas que manifestaram o seu apoio.


Fonte: noticiasaominuto.com


A Organização Mundial da Saúde afirmou que a violência é a quarta maior causa de morte de jovens, entre os 10 e 29 anos, no mundo. De acordo com o relatório “Prevenindo a violência na juventude: uma perspetiva da evidência” preparado pela agência da ONU, em 2015, 200 mil jovens morrem todos os anos vítimas de assassinatos, brigas, violência no namoro e de bullying!


É necessário que sejam tomadas medidas quanto a esta questão. É necessário que as palestras, que são oferecidas pelas escolas, comecem a ser aplicadas no nosso dia-a-dia. É necessário que as vítimas deixem de ter medo e que comecem a denunciar as ocorrências. É necessário que os pais comecem a ter mais atenção a mudanças de comportamento e de personalidade. É preciso um maior acompanhamento tanto das vítimas como dos agressores, com a existência de mais união, respeito e amor do que ódio, ideia de superioridade ou, até mesmo, de vingança.


O julgamento que fazemos é fruto da negação da “caminhada” do outro. Isto leva à criação de um “pré-conceito” de como as coisas deveriam ser e não como elas são. É de ter em conta que, vivemos numa democracia em que o respeito pelo outro é fulcral, e a partir do momento em que essa peça preciosa é quebrada, perdemos uma grande parte da essência humana. É na diferença que reside essa essência humana.

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