Lousada: uma porta aberta para a sensibilização ambiental

Atualizado: 11 de Out de 2020

Reportagem por Sofia Machado


O aumento do nível educacional e a globalização da informação faz de Lousada um dos concelhos mais jovens o que, de certa forma, tem vindo a contribuir para que mais pessoas se preocupem com os problemas ambientais. No município de Lousada são várias as diferentes áreas de atuação, mas todas com um propósito comum – aprender a conservar a natureza.



O Projeto “BioLousada” nasceu há quatro anos de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lousada e a Associação BioLiving promovendo a sensibilização ambiental, motivando o contacto e o respeito pela Natureza. Ao longo dos últimos tempos, tem proporcionado atividades educativas únicas abertas a qualquer pessoa que tenha interesse em participar. Desde workshops, caminhadas e palestras o “BioLousada” tem chegado a milhares de pessoas, principalmente, durante o confinamento causado pela pandemia, em que todos os meses era dado destaque a uma temática diferente. “O “BioLousada em Casa” foi uma ótima forma de divulgar todo o trabalho que tem sido feito porque foram sempre temas que qualquer pessoa pode ajudar”, realça João Gonçalo, biólogo, mestre em ecologia, coordenador da Associação BioLiving e membro em vários projetos do município de Lousada.


De uma forma geral, a pandemia despertou a atenção das pessoas sobre a importância da natureza. João Gonçalo acredita que o interesse e a compreensão das pessoas são “ferramentas basilares para a transformação” quando falam de conservação da natureza, na medida em que tudo muda com a união de todos. Dessa forma, chegam às pessoas através de oficinas, da divulgação nas redes sociais e da revista municipal, sendo o perfil dos voluntários “muito diverso e holístico” chegando a trabalhar com escolas, grupos de escuteiros, grupos seniores e famílias.


Ana Maria participa em várias iniciativas há alguns anos e destaca a agradável forma com que a equipa comunica com os seus participantes. Num tom descontraído revela que não fazia ideia da riqueza que a natureza é capaz de oferecer e como com pequenas ações podemos mudar o mundo. Se houvesse uma palavra para descrever os vários projetos, Ana Maria não tem dúvidas: “excelência”. “Fazer estas atividades é qualidade de vida, é uma terapia. Vou embora mais leve e rejuvenescida porque aumenta o meu prazer de viver e fazer boas ações”.


A vida das abelhas


Depois de longos meses de confinamento e várias dinâmicas on-line, o tão esperado regresso às atividades presenciais voltou. Ainda que com várias restrições causadas pela Covid-19, foi possível desfrutar do início do fim de semana com um workshop sobre a biodiversidade de abelhas em Portugal e a sua importância no nosso ecossistema, incluindo a construção de um abrigo.


A vida das abelhas é crucial para o planeta e para o equilíbrio dos ecossistemas, uma vez que, através da procura do pólen, estes insetos polinizam diversas plantações de legumes, frutas e grãos. A polinização é indispensável, pois é através dela que a maior parte das plantas se reproduz.


Em Portugal, há mais de 700 espécies de abelhas, no entanto, a maior parte das pessoas “desconhece e conhece apenas a inconfundível abelha-do-mel", diz Andreia Albernaz, a formadora da atividade, licenciada em Biologia e mestre em agricultura. Quando Andreia começou a estudar a área, não havia especialistas de abelhas em Portugal. “Felizmente, nos últimos anos a consciência das pessoas sobre a importância das abelhas no nosso ecossistema tem mudado”, diz a bióloga. Neste sentido, a atividade foi uma forma de sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as abelhas.


Através de uma história lúdica, a bióloga vai captando a atenção de todos os participantes dando a conhecer a sua sociabilidade, o transporte de pólen, a nidificação e a família. Para que todos possam ver mais espécies, Andreia Albernaz tem uma caixa com diferentes espécies de abelhas, mas são poucas as pessoas que conseguiram identificar qual é a abelha-do-mel. “Há confusão entre as ombreiras e os zangões”, frisa. Embora sejam parecidos, os zangões são mais volumosos e peludos do que as ombreiras.



As abelhas (Apis Mellifera) sociais vivem em colónias, sejam elas naturais ou artificiais, sendo por isso consideradas um superorganismo. No seu interior, existe uma rainha, uma abelha adulta e fértil, mãe de todas as outras abelhas da colmeia. Entre estas, encontram-se milhares de abelhas ombreiras, que constroem os favos, cuidam da criação, gerem a saúde da colónia, defendem a colmeia, procuram, recolhem e armazenam alimentos (pólen e mel); e os zangões cuja principal função é garantir a fecundação das futuras rainhas. Há ainda outras solidárias, como a abelha mineira, onde a fêmea cuida do seu ninho e assume ela própria as tarefas da nidificação. Cada abelha tem, em média, entre 28 a 48 dias de vida, a exceção da rainha, que pode ter até 5 anos de vida.


Os polinizadores afetam diariamente a nossa vida sem que nós nos apercebamos disso. Por exemplo, a nível alimentar uma parte daquilo que consumimos está dependente da polinização. O que trocando por outras palavras significa que sem abelhas não há ecossistema.

Na segunda parte da atividade, foi possível aprender a construir um abrigo, usando materiais reutilizados


Nada muda se não começarmos por nós


Cada vez mais, a fragilidade dos ecossistemas apresenta enormes riscos à estabilidade social e económica. A pandemia trouxe a importância da ação imediata e preventiva, mas sobretudo, a certeza de que a natureza é a base de uma sociedade saudável, justa e próspera para todos.


Apesar de, hoje em dia, haver uma maior compreensão por parte do ser humano são vários os fatores que ameaçam a sobrevivência das abelhas em todo o mundo, uma vez que, a nível global, temos vindo a assistir a um enorme declínio. O uso excessivo de pesticidas, a agricultura intensiva, a poluição atmosférica, as alterações climáticas e a destruição dos habitats são algumas das principais ameaças.


De forma mais prática, a adoção de hábitos mais sustentáveis, como as pessoas cultivarem os seus próprios alimentos e ajudarem produtores locais. Não utilizando pesticidas estamos a privilegiar toda a fauna de abelhas, insetos e aves que se alimentam das plantas, mas também a proteger os solos. “São pequenas ações que fazemos, que contamos aos amigos e depois esses amigos passam a palavra a outras pessoas. É nos pequenos grãos que está o ganho”, refere Andreia.


Por fim, toda a organização do BioLousada espera que esta atividade sirva para influenciar as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes. Para a formadora, se alguém decidir não arrancar as “ervas-daninhas”, que as abelhas tanto apreciam, cumpriu com o seu objetivo.

Por sua vez, a organização não tem dúvidas de que Lousada continuará a apostar na sustentabilidade. Apesar das restrições causadas pela pandemia, a felicidade brilhava nos olhos de cada participante com a certeza de que a partir daquele serão pessoas ainda mais atentas e preocupadas com o que as rodeia.




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