Inteligência Emocional: a disciplina que falta nas escolas

Desde crianças somos ensinados a memorizar, respeitar hierarquias, desejar por dinheiro, a querer ter sucesso e constituir família. Contudo, chegamos à idade adulta sem ter noção do quão importante é lidar com as nossas emoções e pensamentos.


Porque me sinto assim? Porque é que fui tão impulsivo naquela situação? Podia me ter controlado melhor! Não vou conseguir, nem vale a pena tentar. Não sou suficiente! Estou triste porquê? Pelo menos um destes pensamentos já passou pela cabeça da maioria das pessoas. É prova de ausência de Inteligência Emocional ou, de certa forma, falta de autoconsciência e controlo.


Resumidamente, a Inteligência Emocional é saber analisar, reconhecer, identificar e lidar com as emoções, quer sejam positivas ou negativas. Este é o exato problema dos dias de hoje: há uma constante ausência do entendimento de como as emoções são importantes para aspetos básicos na vida pessoal e profissional, como na busca de atingir certos objetivos ou até na conquista da felicidade.

Nas escolas, os jovens são distinguidos pelas suas notas. Uma boa qualificação num teste indica, automaticamente, que esse indivíduo é melhor e vai ser bem sucedido. Segundo, Daniel Goleman, jornalista científico e um dos primeiros a abordar a Inteligência Emocional, “o quociente de inteligência (QI) não é suficiente para determinar a capacidade de intelecto de alguém”.


Uma pessoa pode ter uma ampla capacidade de processar informações e ao mesmo tempo ter dificuldade de administrar as suas emoções, ou vice-versa. Em cada um dos casos, a busca pelo sucesso torna-se um caminho mais desafiador.


Todos os dias observamos pessoas, quer na nossa família ou grupo de conhecidos, que definem objetivos e que até têm as capacidades necessárias para os atingir, no entanto desistem. Porquê? Não conseguem motivar-se a eles próprios; deixam-se levar pelos sentimentos de medo ou preguiça; não têm a capacidade de lidar com as suas crenças limitadoras, que lhes enchem o cérebro com pensamentos do género “não és suficiente”, “não vais conseguir”, “ninguém gosta de ti”. Ou então, quando até chegam onde sonhavam chegar, não conseguem lidar com o stress, nem com as outras pessoas.


Passamos horas, dias, meses, anos e décadas a tentar melhorar o nosso intelecto ou aspeto físico, com o propósito de ter sucesso, o que quer que isso signifique. Todavia, são poucas as pessoas que dedicam alguns instantes do seu dia, para fazer uma autorreflexão e questionar o que sentem. A maioria dos sentimentos flutuam sem serem identificados. As emoções são reprimidas, o stress é acumulado, as escolhas são equivocadas.


A verdade é que só paramos para compreender a gravidade das nossas emoções e sentimentos quando chegamos ao limite, geralmente pelo acumular de tarefas e frustrações.

Afinal, devemos ou não ensinar Inteligência Emocional nas escolas? A resposta é simples: SIM!

Diversos problemas poderiam ser evitados se os jovens soubessem lidar melhor com as suas emoções. Por exemplo, o bullying, que pode ser derivado de problemas emocionais do agressor e causa transtornos psicológicos nas vítimas. As pessoas iriam aprender desde cedo a evitar vários distúrbios emocionais e a lidar com eles mesmos.


Alfabetizar os jovens emocionalmente é tão importante e necessário para uma boa qualidade de vida quanto alfabetizá-los linguisticamente. "A verdadeira inteligência emocional é o que une o emocional e o cognitivo, e a sua harmonia é o que garante o seu desenvolvimento eficaz para enfrentarmos qualquer situação da vida" (Gallego & Gallego, 2004, pp. 83).

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