Eutanásia: uma escolha

A eutanásia é um tema discutido na nossa sociedade. Este processo consiste em pôr fim à vida de todo o doente em fase terminal ou constante sofrimento. Confere a possibilidade de escolher onde, quando e como morrer. Dadas estas circunstâncias, e desde que o indivíduo não apresente problemas psiquiátricos, que remetam para indícios suicidas, o recurso à eutanásia é justificável. Esta prática no nosso país ainda é considerada crime, mas a vida pertence a quem a possui. Então, porque não temos nós o direito de acabar com ela, quando acharmos que chegou o momento?


Existem dois tipos de eutanásia: a passiva e a ativa. A eutanásia passiva supõe que todos os processos médicos que estejam a ser efetuados ao doente em fase terminal parem e simplesmente espere “pela sua hora”. Por seu lado, a eutanásia ativa é engenhada entre o profissional de saúde e o doente, para que o processo seja mais rápido, e, assim, acabe mais facilmente com o sofrimento. Independentemente da escolha que se faça, o objetivo é sempre o mesmo: acabar com o sofrimento e dar uma morte digna ao doente. Este processo é visto como um escape à dor, por quem está a ver a sua vida a fugir por entre os dedos.


Atualmente está a gerar-se uma certa polémica em torno desta problemática, pois considera-se que a regulamentação da eutanásia é permitir que a morte assistida aconteça. A meu ver, não é assim tão linear, pois aceitar a decisão do doente de querer acabar com a sua agonia e dar-lhe uma morte digna e com pouco suplício é, aos meus olhos, o correto a fazer-se perante situações extremas.


Por outro lado, a eutanásia não é aceite por uma parte da população devido, por exemplo, a argumentos do ponto de vista religioso, legal e de ética médica. Segundo algumas crenças religiosas, este processo não é a solução para o sofrimento. Tirar a vida a um indivíduo é coisa que só alguém superior ao ser Humano tem direito de fazer. Em relação à legalização do ato, o crime por eutanásia não está explícito no código penal atual, mas qualquer ligação com o homicídio involuntário, ajuda no suicídio ou até matar a pedido de quem procura a morte são punidos por lei em Portugal. Quanto aos médicos, a questão coloca-se noutra perspetiva. Durante a sua formação, estes assumem o compromisso de praticar a medicina honestamente, segundo o juramento de Hipócrates. Para eles, a vida é um bem sagrado, pelo que cabe assim ao médico ajudar o paciente e fornecer tudo o que for necessário para garantir a sua sobrevivência.


Portanto, a eutanásia é uma escolha que não é escolha. Para morrer com o menor sofrimento possível é necessário procurar este processo no estrangeiro, procurar essa ajuda longe de casa, da família e dos amigos. Ninguém quer morrer longe dos seus, depois de tratamentos ou todo o processo de tentar lutar contra a doença. Está na altura de mudar mentalidades, oferecer melhores condições de saúde que não levem a este extremo ou mudar regras. Estamos em pleno século XXI. A eutanásia não é um suicídio assistido e muito menos um homicídio. Para mim, é um pedido de ajuda e misericórdia para acabar com a dor de quem precisa.


Fonte: Jornal Ocaso
Fonte: Jornal Ocaso

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