• Catarina Magalhães

Desinformação: o coronavírus do século XXI

Atualizado: 8 de Mar de 2020

Os efeitos do coronavírus, ou mais especificamente Covid-19, são perniciosos. Contudo, as maleitas não se verificam somente nos pacientes. Também se alastraram e afetaram os meios de comunicação, por todo o globo.


A saúde dos media há muito que está em perigo. O fenómeno das fake news, termo popularizado por Donald Trump, é só uma das manifestações da doença. A descrença, a mentira e o imperialismo do princípio da velocidade têm provocado sérios ataques de febre nas redações.


Desinformação é o termo que resume a sintomatologia dos meios de comunicação. Definido no priberam como “o ato de desinformar ou suprimir uma informação/ informação contrária à verdade/ falta de conhecimento”, este é um dos termos que devia estar na ordem do dia. Quando a vontade de que haja infetados, para vender “notícias”, é superior à capacidade de se alastrar do vírus, leva-nos a questionar o verdadeiro valor do serviço público.


Fonte: BBC

Por outro lado, paradoxalmente, este vírus tem provado ainda a prevalência de um poder dos media, que muitos vaticinavam perdido. O alarmismo social tem vindo a espoletar as mais variadas reações nas audiências. A corrida às máscaras ou ao “gel de casa de banho” fazem lembrar as corridas aos falsos descontos praticados na Black Friday.


Contudo, não se podem deixar de referir os números: mais de 3300 mortos, mais de 100 mil infetados, em 85 países. Todos os anos, morrem cerca de 2,5 milhões de pessoas por pneumonia. Tendo em conta os números atuais de contágio por coronavírus, somente 0,1% desssas mortes resultam do covid-19 .


Numa altura em que Portugal era um dos óasis da Europa - mas que registou esta semana os primeiros casos -, os meios de comunicação estavam sedentos de ataques de espirros provocados pela nova ameaça de uma “epidemia global”. Os alertas de diretos em jornais online, como o caso do Expresso e do Público, deixaram de se cingir ao futebol, para se jogarem nos corredores dos hospitais. Quando as não notícias - “Não há casos suspeitos” - ou a sede de alimentarem as suas visualizações com o clicbait penetram no espaço público, a saúde afetada é a de todos.

Capa do Correio da Manhã

Quando é dada voz a falsas informações, o prejudicado não é só o órgão ou o jornalista. A pessoa que leu fica com uma ideia deturpada daquilo que é a realidade, se o seu olhar não for o mais atento. A associação do vírus a uma etnia, bem como região, tem espoletado reações xenófobas. Além disso, permite que discursos nacionalistas e populistas proliferem no espaço público com o conluio dos fóruns das redes sociais.


Todos os anos, morrem milhares de pessoas à fome. As condições em que muitos refugiados são obrigados a (sobre)viver são angustiantes. O descrédito na imprensa é acutilante e tão (ou mais) virulenta do que o covid-19, 20, 21 e os que daí virão.

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