• Catarina Félix

Cultivar a essência infantil

Vivemos numa sociedade, cada vez mais mutante e competitiva, e, para conseguirmos sobreviver, é necessário haver pessoas, acima de tudo, capazes de se adaptarem ao nível das exigências. Quem sofre, na maioria, são as crianças que começam a lidar, desde muito cedo, com a pressão, a frustração e as expectativas elevadas criadas pelos pais, deixando, para trás, a verdadeira infância.


Colocar crianças a “desenvolver”, mais propriamente formatar, competências académicas a partir dos cinco anos é algo que já está intrínseco na nossa mentalidade. Contudo, esquecemo-nos que, ao colocarmos crianças com menos de meia dúzia de anos neste meio, podemos estar a cortar a criatividade e a liberdade de sonhar.


Fonte: https://www.comunidadeculturaearte.com/brincar-nao-deve-ser-descartado-so-porque-se-cresce/

Primeiramente, é necessário que as crianças lidem com diversas experiências, para que possam ganhar e amplificar os seus conhecimentos, através da arte, música, brincadeiras espontâneas, histórias contadas, e acima de tudo da paciência, apoio e amor incondicional dos pais. E em segundo lugar, a curiosidade é o maior impulsionador do cérebro infantil, pois permite descobrir o mundo. É exatamente por isso que, tanto os pais, como os educadores devem facilitar o acesso à cultura, invés de impingir. Por exemplo, falar com os filhos, utilizando uma linguagem corrente, sem os obrigar a dizer o que seja, ou colocar livros perto deles, de forma a despertar interesse.


Os pais são os primeiros professores dos seus filhos, devendo amar, guiar, procurar ser o exemplo e facilitar a sua maturidade sem pressões. Para isso, é necessário dar a conhecer o valor da vida, do amor, da diversão, da concentração, do “NÃO” e por aí adiante. No final de contas, dar-lhes sementes para que estes cultivem os seus conhecimentos, para que, mais tarde, possam usá-los da melhor forma.


Segundo Jean Piaget, fundador da Epistemologia Genética - teoria do conhecimento com base da gênese psicológica do pensamento humano -, “o objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram”. Assim sendo, é fundamental respeitar os tempos, ritmos e os sonhos da criança em cada etapa evolutiva, para que esta possa crescer e desenvolver as suas competências e ferramentas de forma saudável e benéfica.

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