Covid-19: o cheiro do regresso à liberdade

Por Mafalda Pereira e Paulo Cardoso


No dia 18 de março foi decretado Estado de Emergência e o ritmo do país estava destinado a mudar. A Sapiens Digitalis quis perceber como é que os nossos leitores se sentiram durante o período de isolamento e como este os afetou. Deste modo, desenvolvemos, através da plataforma Google Forms, um inquérito que obteve 275 respostas.


Portugal já está em processo de desconfinamento e muitos portugueses já saíram à rua. Com vários estabelecimentos a abrir e alívio das restrições pelas forças de segurança, o medo ainda persiste e este ainda é um processo que levanta muitas dúvidas. Voltaremos atrás?


Acompanhe com a Sapiens Digitalis os dados que se seguem:



Numa altura em que o confinamento era obrigatório, 158 leitores manifestam que não se sentiram presos em casa. Com segurança, muitos continuaram a sair à rua para comprar o jornal, a sua comida, passear o cão ou correr no parque. Estas pequenas saídas revelaram-se importantes para o estado da saúde mental de cada um. Com confiança de que tudo iria passar (#vaificartudobem), combateu-se o stress, a ansiedade e a angústia de cumprir o dever cívico de ficar entre quatro paredes.



Com auditórios, bibliotecas, cafés e restaurantes fechados, o convívio entre famílias e os amigos viu-se limitado. A rotina de beber um café na esplanada foi trocada por uma caneca de chá no Zoom. As novas tecnologias permitiram, para 86,5% dos nossos leitores, contornar a dificuldade de sair à rua e continuar com os contactos à distância. Os encontros pessoais foram também substituídos pela leitura de um livro e pelo exercício físico, segundo os inquiridos. Com a porta de casa fechada, serviram as várias possibilidades para nos conseguirmos tocar, desta feita, à distância.



Ainda que se mantenha a “necessidade de manter o escrupuloso cumprimento das medidas de distanciamentos físico”, António Costa, apela aos portugueses que tenham confiança para saírem em liberdade ao encontro do comércio local ou do restaurante do bairro. Apesar deste pedido de confiança, 133 leitores da Sapiens dizem não sentirem mais liberdade para sair de casa. As escolhas têm sido “manter os passeios essenciais” e “um desconfinamento controlado”.


Até 1 de junho, a reabertura de várias portas está a permitir saídas controladas dos portugueses à rua. Apesar de 18,5% dos leitores decidirem permanecer em casa, muitos não dispensaram marcar o primeiro passo numa caminhada ou uma primeira ida ao salão de beleza. Para alguns comprar equipamentos de proteção individual e ir à farmácia passou a ser uma das novas rotinas e prioridades.



Esta pandemia está a provocar muitas consequências pelo mundo inteiro. Apesar da economia ser um dos setor mais afetados, esse impacto fez-se sentir pouco no bolso de 214 leitores. Para o futuro, persiste a dúvida do risco de a Covid-19 vir a afetar as contas de muitos portugueses, seja através da perda do posto de trabalho ou do aumento de despesa com mais impostos.



Nada melhor do que um comentário de um dos nossos leitores:


“Ninguém duvida que vêm aí tempos difíceis, mas acredito que, hoje, mais que nunca, estamos solidários e depois de "sobrevivermos" a esta mudança brusca nas nossas vidas teremos a força necessária para reerguer o nosso país, cumprindo-se, mais uma vez, Portugal.


Emocionalmente, saímos reforçados, porque percebemos que precisamos de poucas coisas, para sermos felizes. Entendemos mais do que nunca a verdadeira dimensão de um abraço, o quão bom é poder estar frente a frente, sem máscara, com o outro... entendemos o valor da Liberdade e o sentido desta palavra tão portuguesa: a Saudade."

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