• Tomás Barros

“Coronamonster”

Pela altura em que escrevo esta humilde opinião, certamente muitos outros casos terão sido confirmados de Covid-19. Desta vez serei poupado no humor, ao contrário dos milhares que encontraram a ostentação nesta fase delicada e assaltam as prateleiras dos supermercados afetados por um medo desmedido.


A verdade é que o vírus evoluiu de “um problema lá bem longe da China”, para uma pandemia global. Muito ainda está por explicar, desde a descoberta do vírus pelas autoridades chinesas, até à cura que permanece envolta numa incógnita, longe de ser desvendada, pelo menos do ponto de vista dos milhares de infetados. Muito foi encoberto, muito está por dizer, muito ainda está ainda por acontecer.


Nós, como bons portugueses, esperámos ao máximo até tomar uma decisão. Pondo tudo em pratos limpos, vivemos do turismo. Somente esse fator dita muito o plano de ação de um país como o nosso. Obviamente, não foi o único fator a ter em conta, o que está à vista de todos é a situação que temos em mãos e que se vai alterando constantemente.


Enquanto estudante deslocado, lido com a aflição de toda a minha família a quilómetros de distância, ansiando para que tudo fique bem e que voltemos à normalidade. O choro de uma mãe, o desespero de um pai, as preocupações de avós, todas elas conjugadas com as eternas saudades mútuas que amplificam toda uma dor. Dor essa talvez um pouco desmedida e com necessidade de ser um tanto desmistificada. Como?


Para já, não há muito a fazer a não ser ficar por casa, então como bom ‘influencer’ que sou (a Rita Pereira dos textos de opinião), recomendo-vos que escrevam, dancem, cantem. Vejam filmes, séries, vídeos de culinária, o que quiserem. Isto deixou de ser acerca da nossa individualidade, passou a dizer respeito a todos nós. Esta situação ultrapassa-nos. Pelos nossos avós, pelos nossos irmãos, por todos os que nos são chegados. A nossa formação e organização tem que ser imaculada, como as táticas militares romanas. Basta um escudo estar mal posicionado que acabará por permitir a entrada de uma flecha. Basta um homem falhar que a formação quebra.


Mas o que é que fazemos? Vamos à praia, vamos a discotecas e a bares. Somos o veículo perfeito para a disseminação do vírus. Recosto-me na cadeira do meu quarto em modo quarentena e penso. Penso e chego à conclusão de que se o mundo vivesse repleto de portugueses, a nossa espécie estaria em extinção. Frequentar qualquer tipo de espaços como discotecas é literalmente pedir uma bebida, “com corona por favor”. As dezenas de pessoas que se juntam, num espaço confinado fazem dele uma estufa para fazer proliferar este vírus. Torna-se, digamos, um modelo de crescimento superior a qualquer empresa, até porque a bolsa também está como está.


Já fui emotivo e sarcástico neste pequeno texto, provavelmente aquele que menos vontade tive de escrever até à data. No entanto, achei necessário acrescentar aqui uma ou outra perspetiva que, por vezes, pode passar ao lado com toda a confusão e emergência deste assunto. Julgo, todavia, que este momento deveria ser aproveitado para refletir. Reflitam sobre o que mais gostam, aqueles que mais estimam, o que vos traz prazer e o que vos faz encontrar a alegria. Procurem preservar isso.


Se precisam desesperadamente de uma gargalhada deixo aqui umas recomendações grátis e disponíveis online:

- Temos humoristas como Pete Davidson (já com vários vídeos no Youtube e com um espetáculo exclusivo para a Netflix, ao vivo de Nova Iorque), Deon Cole, Dave Chappelle e Diogo Batáguas com um humor focado na atualidade e acutilante.

- Para os amantes de humor mais pesado e negro – Guilherme Duarte com o seu espetáculo “Por falar noutra coisa”, Ricky Gervais e Anthony Jeselnik (para quem tem Netflix recomendo “Fire in the maternity ward”).

- Existem sempre dezenas de vídeos no Youtube dos espetáculos organizados pelo Fernando Rocha com o nome “Pi 100 pé”, com muitos dos melhores comediantes portugueses.

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