Cinema em Casa: 5 filmes para ver em Quarentena

Opinião por Ricardo Terrinha


Em tempos de abrandamento de medidas de confinamento, um dos pilares basilares de entretenimento social parece ter que ficar encerrado durante mais uns tempos. Falo, indubitavelmente, dos cinemas. Longe se encontra a próxima oportunidade de comprar as icónicas e excessivamente caras pipocas e entrar na soturna sala excitado com as próximas duas horas.


Ir ao cinema é um investimento, o consumidor observa filmes em cartaz, preços de entrada e snacks, e faz uma decisão consciente, o que pode tornar essa consciência muito mais pesada caso, na opinião do espectador, o filme desaponte. Sem querer desvalorizar a experiência completa, que é a entrada num qualquer centro comercial, temos em época de distanciamento social, a opção de pegar uma mantinha, bolachas e enroscar-nos no sofá e desfrutarmos de obras cinematográficas completas, de Kubrick a Noé, de Hollywood a Bollywood. O streaming veio revolucionar a forma como vemos heróis, vilões e explosões, transportando-os para o pequeno ecrã dos nossos computadores, telemóveis ou televisões.


Aqui fica a minha sugestão de cinco filmes, que garantidamente, vão tornar o vosso pé pesado em casa e quem sabe fazer com que esta tormenta passe mais rápido:


1. Drive (2011)

Do visionário realizador Nicolas Winding Refn (Neon Demon, Only God Forgives, Bronson) chega um filme atmosférico, real, sendo talvez “cru” o melhor adjetivo para classificar esta obra-prima moderna. Não é um filme de ação, embora a tenha, não é um melodrama, embora o tenha, não é uma comédia mesmo que tenha os seus momentos agradáveis. A vida não é um absoluto e Refn sabe disso e transporta esse sentimento para uma hora e quarenta que deixa qualquer um pregado à cadeira.


Com uma cinematografia visionária, uma banda sonora brilhante e uma casting excepcional, este filme passou em muito despercebido quando saiu em 2011 por uma razão crucial, marketing. O trailer promocional desta obra sobre relacionamentos, sobre desespero, sobre crime e castigo, fazia com que o mesmo parecesse um filme banal de corridas e pistolas. Longe disso, “Drive” é um discurso sobre o que nos motiva a ser humanos, “real human beings”. Com isso, em vez do tradicional trailer, deixo-vos com uma uma música da banda sonora, para mim, a mais capaz de encapsular tudo que Refn nos queria dizer com este filme:

2. Reservoir Dogs (1992)

Todos conhecem Tarantino, seja pelo diálogo, seja pelo sangue, seja pelos pés. Porque não, então, ver o filme que começou tudo? A primeira grande produção do lendário realizador mostra muito do que o agora celebrado diretor era e veio a ser. Reservoir Dogs, em português, Cães Danados, conta a curta história de 6 ladrões com temperamentos voláteis que se vêem envolvidos num assalto que dá para o torto, Mr. White (Harvey Keitel), Mr. Pink (Steve Buscemi), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Blue (Edward Bunker) e Mr. Brown (Quentin Tarantino).


Reservoir Dogs é uma explosão de sensações, com a adrenalina a cem, as pistolas fora do coldre e Tarantino não tira o pé do acelerador numa hora e meia estimulante.


3. Zodiac (2007)


O crime perfeito não existe. O crime é uma perversão da ordem social. Mas o que fazer quando o crime não é, aparentemente, motivado pelas razões comuns de ganância, cobiça do alheio ou egoísmo desmesurado? “Zodiac” conta a história REAL de um serial killer americano nos anos 60 e 70 e principalmente da equipa de investigadores do caso ainda hoje por desvendar.


David Fincher é uma das figuras centrais da realização moderna, seja em forma de série, com “House of Cards” e “Mindhunter” ou em filme com “Gone Girl” e “SE7EN”. “Zodiac” segue o mesmo padrão de qualidade, mas vai mais longe, vai além da longa metragem de mistério e crime, vai ao detalhe, vai ao nú do abismo da desilusão. “Zodiac” é Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo antes de serem Iron Man e Hulk, é Jake Gyllenhaal antes de ser Mysterio, é David Fincher completo. Este filme é uma obra de estudo, não só pela meticulosa recriação cinemática, como também pelo mergulho de cabeça na complexidade das emoções humanas, até onde ias por respostas?



4. Nocturnal Animals (2016)


Tom Ford, Jake Gyllenhaal, Amy Adams e Michael Shannon. Três narrativas interligadas num filme moderno. Um dos mais interessantes e viscerantes filmes dos últimos anos, de um realizador incomum, o estilista Tom Ford. É impossível falar de “Nocturnal Animals” sem falar do senhor Tom Ford. Ford fez, na sua vida, dois filmes, o primeiro, um drama romântico em “A Single Man” e o segundo, o presente, um thriller violento, ambos soberbos.





“Nocturnal Animals” conta a estória de uma história. Conta o descarrilar de uma vida promissora pela escrita de um romance narrativo. Conta o antes, o agora e o depois da amargura de uma maneira brilhante, por vezes até desconfortável.


Performances sublimes por todos os envolvidos, salva, no entanto, relevar a primorosa atuação de Michael Shannon que lhe mereceu a sua segunda nomeação a um Óscar. Um filme definitivamente incomum mas digno de várias visualizações.





5. Mother (2017)



Vamos falar de Darren Aronofsky? O diretor que cultivou o culto de génio louco por filmes controversos como “Noé”, “Requiem for a Dream” e “Black Swan” tem em “Mother!” o culminar daquilo que o define enquanto artista, descontrolado, frenético, provocador e absolutamente belo. Com a dupla excepcional de Javier Bardem e Jennifer Lawrence em palco, num guião saído de uma trip alucinogénica, Aronofsky combina elementos bíblicos com uma transparente influência Polanskiana. Não é um filme de terror no tradicional sentido do género, o que é, é um vislumbre da mente distorcida de um prodígio do cinema.



Não há maneira de explicar as duas horas que estarão prestes a ver, quando carregarem play neste épico, mas garanto que vão ficar a pensar no mesmo durante uns tempos e há elogio melhor que a memorabilidade?



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