• Catarina Magalhães

Carta aos Finalistas

Atualizado: 10 de Mai de 2020

Bragança, 9 de maio de 2020


Car@s finalistas,


Gostava de vos estar a escrever de outro lugar, que não a minha terra natal. Não é que estar em casa seja castrador, mas não poder estar em Coimbra é. Acho que, apesar do conforto, agora, ansiávamos pelo (des)conforto de poder percorrer as ruas sem fim das nossas memórias de estudantes.


Para muitos, este final de jornada que se aproxima, não parece um fim. Muitos tentam adiar esse interregno para outubro. Arrepios de saudade... Ou, quiçá, para a vida inteira.


Os cafés que foram adiados. Os jantares que ficaram por marcar. Os momentos que ficaram por viver. Agora, mais do que nunca, sonhamos poder estar abraçados a partilhar as melhores memórias das nossas vidas com aqueles que nos ouviram, ao longos destes anos afastados, para alguns, dos ninhos de casa.


Mas… não pode ser.


Os acordes das baladas que foram cantadas, agora, sem a massa de capas pretas a assistir, não soaram ao mesmo. As notas da saudade não deixaram audível a felicidade de nos sentirmos todos ali. Afilhados, padrinhos, pessoas para a vida.


Os nasceres do sol que ficaram por ver, a caminho de casa, de madrugada...


Contudo, apesar de, no meu caso, ter de deixar Coimbra, ela não me deixou a mim. Através dos ecrãs dos computadores e telemóveis, as novas tradições “epistulares”, conseguimos, mesmo longe, estar perto.


Mas… não é a mesma coisa.


A mim, custa-me imaginar as memórias que, neste momento, estaríamos a saborear no fim de uma das jornadas da nossa vida. Em vez disso, continuamos no desafio que a distância - tão inexorável - nos lançou. Os sonhos, agora, que tiveram de ser adiados, não “nascem aqui”, mas sim lá longe… na promessa de que vamos todos voltar.


Até breve.


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