Bater ou não bater: “eis a questão”

O tema que vou abordar é delicado o suficiente, caro leitor. E que, normalmente, gera controvérsias em abundância. Bater em crianças: educa ou apenas transmite a mensagem errada?


Sem dúvida, há argumentos para cada opinião, todos totalmente dignos de respeito e de atenção. Quem defende uma educação rígida, à “moda espartana”, costuma dizer que é preciso ser-se duro, para se criar filhos preparados, igualmente, para a dureza da vida. “Ah uma palmadinha não faz mal a ninguém, eu agradeço bastante as que apanhei, fizeram a pessoa que sou hoje”, tornou-se quase um cliché. Por outro lado, cada vez mais são os pais que não veem as coisas dessa forma, apelando a um modo “mais humano” de se deixar um bom legado. “Bater é violência, eu prefiro ensinar os meus filhos à base do diálogo”, costuma-se também ouvir dizer. Afinal, quem tem razão?


Usar a punição física como meio de transmitir aos mais novos o que podem ou não fazer é prática já enraizada na nossa sociedade, usada desde os tempos mais primordiais e, aliás, até preconizada na Bíblia. Sempre se pensou que uma boa educação não poderia ser de outra forma, afinal, ninguém quer criar filhos rebeldes, libertinos, que estão habituados a fazer tudo o que querem e que não aceitam ser contrariados.

Até que os ares da modernidade e de maior sensibilidade, levantaram a questão sobre a validade de usarmos a nossa força física com quem, ainda por cima, por norma, não tem capacidade de se defender.


Esta ideia, permite logo aferir uma coisa. É possível bater, mas também é possível “bater”… Consegue-se dar uma “palmadinha” com um fim apenas educacional, pedagógico, mas também são perfeitamente possíveis situações em que, com as inúmeras “asneiras” que os gaiatos fazem, um pai (leia-se, “pai/mãe”) perca a paciência e decida descarregar a sua raiva e frustração em quem as causou. Têm razão aqueles que dizem que bater nas crianças é colocar nelas a ideia de que, quando há dificuldades, a “lei do mais forte” é a solução?


Pessoalmente, sou mais adepto de não se usar a força física como forma de educação, apesar de reconhecer que pode ter vantagens, às vezes! Parece contraditório, mas acima de tudo, o que quero transmitir é que, ao invés de se utilizar pensamento A ou B, é mais frutífero se extrair o que é bom de cada “teoria” e fazer uma conciliação. Depende principalmente, a meu ver, da personalidade de cada criança. Há aquelas em que um levantar de voz já é o suficiente para as desviar de fazerem o que não se quer, enquanto que outras exigem medidas “mais drásticas”. Ou seja, cada situação requer uma medida específica.


O mais importante é não se abusar, pois a linha entre o reprimir e a violência pode ser bastante ténue... Primeiramente, como é óbvio, o diálogo deve ser sempre a primeira opção, bem como o reforço positivo e o elogio do bom comportamento. Em último recurso, uma palmada pode até ser bastante pedagógica.


Tenho a humildade suficiente para me meter no lugar de quem já tentou de tudo para impedir os seus filhos de fazerem “coisas erradas” e viu que não chegava lá com “falinhas mansas”. Ainda não sou pai, por isso não posso dizer qual a melhor educação que os de tenra idade precisam.


Uma coisa é certa: no presente, os conceitos de “paz”, “paciência” e “tolerância” constituem o meu ser de tal modo que não consigo imaginar-me, em situações ditas “normais”, a fazer algo que se desvie deles. Mas, tal como costumam dizer por aí, não posso dizer “desta água não beberei”.

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