Arlindo Oliveira: a era da Inteligência Artificial

Entrevista por Afonso Mendonça e Catarina Magalhães


Investigador e professor no Departamento de Ciências de Computação e Engenharia do Instituto Superior Técnico, sendo o autor de mais de 150 artigos científicos. Recentemente, escreveu um ensaio para a Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre as implicações da IA. As suas principais áreas de interesse são os Algoritmos e Complexidade, Aprendizagem de Máquina, Bioinformática e Design de Circuitos Digitais.


Membro da Academia Portuguesa de Engenharia e Membro Sénior do IEEE, e também antigo trabalhador no CERN, abordou os mais diversos temas que dizem respeito à Inteligência Artificial. Quanto à célebre pergunta sobre a simulação do cérebro humano, apontou alguns argumentos a favor e contra. A resposta, contudo, ainda não é clara...

Como é que descreve o desafio de escrever para o público através das suas obras, tendo em conta o necessário exercício de seleção da informação e a sua transmissão de forma acessível a um público que, em geral, não tem os conhecimentos técnicos?



E em que medida é que isso difere quando, por exemplo, escreve artigos de opinião para o jornal Público?


Uma das principais preocupações é "explicar de forma acessível para todos", procurando informar devidamente o público que não possua os conhecimentos técnicos. Assim, o modo de escrita é semelhante, aponta.


Qual foi o episódio ou algo marcante que o tenha orientado no seu percurso de investigação, nomeadamente, na área do Machine Learning?



O investigador refere que se verificou uma explosão evolutiva no desenvolvimento nos últimos 30 anos.


"(do livro Inteligência Artificial) Turing propôs que, em vez de escrever um programa que faça com que um computador sem comporte de forma inteligente, talvez seja mais fácil construir um programa que simule o cérebro de uma criança (...)" Temos atualmente o exemplo do Alpha Go, o programa da DeepMind (adquirida pela Google) que vence os melhores jogadores do mundo no jogo de Go, por um mecanismo de aprendizagem profunda. O professor refere também no livro (pág. 65) que "as redes neurais são das abordagens mais flexíveis e poderosas hoje em uso." 

Quais as aplicações práticas de um sistema desta natureza, nos dias de hoje?


Os sistemas de aprendizagem automática não são uma invenção do século XXI. Há muito que têm aplicação prática. A questão é que os sistemas de aprendizagem profunda atuais resolvem problemas bem mais complexos, como, por exemplo, o reconhecimento facial.



O jogo Go serviu de ambiente de desenvolvimento para o AlphaGo, e as suas conquistas no mesmo demonstraram o potencial prático deste sistema em áreas importantes.


"Já existem tecnologias que, se combinadas, poderiam conduzir a sistemas muito complexos e, pelo menos, superficialmente inteligentes. A combinação de módulos diferentes, específicos, poderá levar a que se possa simular diversos comportamentos humanos."

Atualmente, e tendo também em conta o desenvolvimento físico de certos robots, como o ASIMO da Honda ou o Atlas da Boston Dynamics, quão perto estarão os investigadores de conseguir desenvolver um "mordomo robótico", aquela clássica figura dos primórdios da ficção científica e com a qual muita gente está familiarizada?



O cérebro mais completo que conhecemos em pormenor é o do pequeno verme Caenorhabditis Elegans, sendo a sua simulação possível, embora com limitações devido ao desconhecimento, por exemplo, da intensidade da ligação entre neurónios feita pelas sinapses e os modelos elétricos pormenorizados de todos os neurónios, como refere.

Sendo assim, poderá ser uma questão de evolução tecnológica e de "apenas" se ultrapassarem dificuldades técnicas até um dia ser possível simular cérebros e (sistemas nervosos) bem mais complexos, como o humano?



"Um teste de Turing generalizado permitirá, mais tarde ou mais cedo, distinguir comportamento verdadeiramente consciente de comportamento inteligente, mas não consciente, porque a consciência irá, mais tarde ou mais cedo, influenciar o comportamento visto do exterior".

Em que consiste verdadeiramente e dar-se-á, ou não, o fenómeno da singularidade tecnológica no futuro?



Como descreve a posição/atuação de Portugal, neste momento, no que concerne à investigação e investimento na área da Inteligência Artificial?


Em jeito de conclusão, fale-nos um pouco sobre a sua experiência enquanto professor na época atual, nomeadamente a sua visão relativamente ao ensino à distância (grande divulgação recente), e quais as suas limitações?


Por último, considera que a pessoas estão, hoje, mais conscientes da sua dependência em relação à tecnologia?



Nota: a Sapiens Digitalis disponibiliza as transcrições dos áudios às pessoas que tiverem alguma limitação auditiva. Basta enviar um e-mail para sapiensdigitalis@gmail.com e referir o título do artigo.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
Contacto
  • Facebook
  • Instagram
  • Ícone cinza LinkedIn
  • Grey Twitter Ícone
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now