Argumentum ad hominem

Opinião por Ana Luísa Paiva


Quando me foi dirigido o – simpático – convite que deu aso à escrita deste artigo soube, desde logo, o ´tema´ que iria abordar. Soube que não iria redigir sobre Direito, não me iria abeirar de problemáticas jurídicas e de seus meandros carregados de tamanha significância. Enfim, soube que iria apenas e só ´partilhar a minha opinião´ com a leveza e simplicidade que tal demanda exige.


Alguns de nós – quiçá, a maioria – já ouvimos frases como: “não podemos dizer tudo o que pensamos” e/ou “temos que ter cuidado com a forma como nos expressamos”. Não olvidando a necessidade de ponderação e de ´equilíbrio´ a que fazem apelo aquelas ´frases batidas´, a fim de viabilizar uma convivência humana mais ou menos pacífica numa sociedade marcada pelos “ismos” [leia-se, populismos, achismos, nacionalismos, etc.], venho por este meio dizer-vos carregada de convicção: não se preocupem! Ou, pelo menos, não se preocupem tanto!


Não raras são as vezes em que, ao fazermos jus à liberdade de expressão que nos assiste – materializando-a numa opinião, posição ou ponto de vista acerca de um qualquer assunto. No entanto, somos mal interpretados, julgados e, quando em vez, até passamos a integrar a ´categoria´ de seres providos de arrogância.


Atrevo-me a afirmar, e até com alguma veemência, que o problema – se é que ele existe – não reside, ou quase nunca reside, no que é dito ou na forma como é dito. O fósforo que acende o rastilho és Tu. Sim, Tu! Tu, o que Tu és; a profissão que Tu exerces e o que Tu possas vir a ser. Não, não foste Tu que te exprimiste e/ou que raciocinaste mal. Em suma, não és tu. São ´eles´ e o seu “argumentum ad hominem".

Fonte: blogsoestado.com


Incomodas pelo que Tu és, não pelo que dizes. Perguntar-me-ão: qual o móbil por que se guiam aqueles que, propositadamente, utilizam a ambivalência das palavras para distorcer o que tu disseste? Ou daqueles que ´atacam´ pessoas que proferem palavras e não as palavras – maxime, os argumentos – proferidos pelas pessoas? Não sei. Confesso que talvez não saiba por que nunca procurei e/ou me preocupei em saber. Talvez um dia me venha a preocupar e, consequentemente, talvez nesse dia saiba.


Como já alguém dizia “Deus era Deus e não agradou a todos”. Tu não és Deus, mas também não vais agradar a todos. ´Agrada-te´ a ti e aos teus, sempre com a certeza de que o teu ponto de vista se encontra fundamentado; sempre com a humildade necessária para te permitires reformulá-lo face a ´novas descobertas´; e, por fim, sempre com dignidade suficiente para o defenderes mesmo quando ecoam as – muitas – vozes dos que discordam ´só por que sim´ ou, por outras palavras, só ´porque és Tu a dizê-lo´.


Termino com a certeza de que este artigo não colherá a concordância de todos – e ainda bem! Afinal, se assim fosse o seu objeto não passaria de uma inútil narrativa desprovida de qualquer ligação com a (nossa) realidade.

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