A Sapiens Digitalis sugere…

Por Iliane Soares


Existem artistas e bandas que fazem furor nas rádios todos os dias, tais como: Taylor Swift, Cardi B, The Weeknd, etc. No entanto, com tanto peixe no oceano, vale sempre a pena explorar o que fica nas profundezas, dado que há sempre a hipótese de encontrar algo refrescante para os nossos ouvidos. É precisamente com o intuito de alargar os horizontes dos leitores da Sapiens Digitalis que resolvemos trazer 5 sugestões de artistas que poderão não conhecer e que, na nossa opinião, valem a pena ouvir. Boas audições!


#1 Royal Blood


Uma banda de rock constituída apenas por um baixista e um baterista? Pode não parecer a receita para o sucesso à primeira vista, mas Royal Blood com a sua sonoridade inconfundível conseguiu conquistar a sua legião de fãs.


Nascido em 2011 na cidade inglesa de Brighton, o duo constituído por Mike Kerr (voz e baixo) e Ben Thatcher (bateria), tem como cunho principal a junção de diversos efeitos conseguidos através do uso de pedais e amplificadores. O resultado é a sensação de que se está a ouvir em simultâneo uma guitarra elétrica e um baixo, quando na realidade está apenas a ser utilizado um baixo elétrico. A coordenação dos meios técnicos com a cumplicidade musical de Kerr e Thatcher conferem às produções musicais da banda um estilo minimalista único que comporta géneros como: rock alternativo, hard rock, blues e garage rock.


O primeiro álbum da banda, o homónimo Royal Blood, atingiu no ano do seu lançamento - 2014 - o primeiro lugar das tabelas do Reino Unido e Irlanda. Em 2015, ganharam o prémio de Melhor Grupo Britânico nos Brit Awards. Já o segundo álbum, How Did We Get So Dark? foi incluído na lista dos “25 Melhores Álbuns de Hard Rock de 2017” da revista Loudwire, ocupando a sétima posição.


Para quem gosta de bandas como Queens Of The Stone Age, The White Stripes e Led Zeppelin, Royal Blood é sem dúvida uma sugestão a considerar, tendo em conta que são algumas das suas grandes influências musicais. Além destas, Mike Kerr, em entrevista à Loudwire, incluiu ainda no rol de inspirações a banda Foo Fighters e o já falecido Jeff Buckley. Numa altura em que o rock pesado parecia estar a viver os piores tempos, a dupla britânica surge como uma lufada de ar fresco e de esperança para os apreciadores do género.


O estilo peculiar da banda é de tal maneira inesquecível que já despertou o interesse de artistas como Dave Grohl, Tom Morello e Jimmy Page, tendo este último tecido rasgados elogios ao grupo.


Para quem esteve mais distraído, é de recordar que os Royal Blood já atuaram três vezes em Portugal: em 2015, no Coliseu dos Recreios; e em 2017, no Heineken Stage na décima primeira edição do NOS Alive e no Campo Pequeno.


O grupo musical conta com dois álbuns de estúdio: Royal Blood (2014) e How Did We Get So Dark? (2017), sendo que já se sabe que o terceiro álbum - Typhoons - tem data de lançamento agendada para 30 de abril de 2021.


Sugestões:


“Out of the Black” -

https://youtu.be/bSdtvfBQd6c


“Little Monster” - https://youtu.be/ere2Mstl8ww


“Figure It Out” - https://youtu.be/jhgVu2lsi_k


“How Did We Get So Dark?” - https://youtu.be/sbx95gBb5HM


“Lights Out” - https://youtu.be/ZSznpyG9CHY

“Hole in Your Heart” - https://youtu.be/WhU9ihQabv4




#2 Nothing But Thieves


A segunda banda da lista é também proveniente de Inglaterra, mais propriamente de Southend-on-Sea. Nothing But Thieves, de seu nome, é atualmente constituída pelo vocalista e guitarrista Conor Mason, pelo também guitarrista Joe Langridge-Brown, pelo teclista e guitarrista Dominic Craik, pelo baixista Philip Blake e, por fim, pelo baterista James Price.


Apesar da sua formação em 2012, o grupo de rock alternativo, hard rock e indie rock apenas começou a ganhar destaque na música em 2015, com o single “Itch”. 2015 foi também o ano da estreia do primeiro álbum de originais - Nothing But Thieves - que catapultou a banda para o sucesso, tendo sido o álbum de estreia de uma banda de rock do Reino Unido mais vendido nos EUA nesse mesmo ano. O homónimo também lhe valeu o sétimo lugar na tabela do Reino Unido. A sua proeminência fez-se ecoar também sob forma de performances em programas televisivos como o The Late Night Show with James Corden e Jimmy Kimmel Live!.


Um dos traços particulares desta banda é, sem dúvida, o timbre distinto e educado de Conor Mason. Além da grande cintura vocal e controlo exímio da voz, Mason consegue transmitir nas canções de Nothing But Thieves uma grande carga emocional que não passa despercebida.


Nothing But Thieves têm um leque eclético e extenso de influências: Queens Of The Stone Age, Foo Fighters, Led Zeppelin, Bob Dylan, Blur, LCD Soudsystem, Manic Street Preachers, Muse (tendo mesmo chegado a serem comparados com esta) são alguns dos nomes. No entanto, as maiores inspirações passam por Radiohead e Jeff Buckley.


Em 2020 a banda foi uma das confirmações avançadas pela organização do NOS Alive para compor o cartaz da edição de 2021. Nothing But Thieves iria partilhar o Palco NOS com Red Hot Chili Peppers e Alt-J a 8 de julho de 2021. No entanto, com o estado atual da pandemia não se sabe ao certo se a atuação se mantém.


O grupo britânico tem neste momento três álbuns de estúdio: Nothing But Thieves (2015), Broken Machine (2017) e Moral Panic (2020).


Sugestões:


“Wake Up Call” - https://youtu.be/8uGMeS41ui0


“Amsterdam” - https://youtu.be/X2zcG3bcuMI


“Particles” - https://youtu.be/jG_luFPxIHk


“Real Love Song” - https://youtu.be/aiAg4OO_1hk


“Impossible” - https://youtu.be/Kg6aD8EGcKw


“Gods” - https://youtu.be/KmDhdN7FvJ0



#3 The Dear Hunter


De Inglaterra passamos para os Estados Unidos da América, dando a conhecer The Dear Hunter. (Não confundir, por favor, com a banda Deer Hunter.) O grupo oriundo de Providence, Role Island, é de difícil definição, tendo em conta a multiplicidade de instrumentos e estilos que o caracterizam. Rock progressivo, indie rock, rock experimental, rock sinfónico, art rock são dos vários géneros que compõem o espectro musical de The Dear Hunter.


Tendo início em 2005, The Dear Hunter começou como um projeto secundário do seu vocalista, Casey Crescenzo, que também fazia parte da banda The Receiving End Of Sirens. A intenção de Crescenzo ao criar esta alternativa foi de aproveitar músicas escritas por si que não se enquadraram nos trabalhos de The Receiving End Of Sirens. Em 2006, contudo, acabou por se dedicar exclusivamente ao projeto secundário, que passou de imediato a principal.


Atualmente, além de Casey (voz e guitarra), o grupo é composto pelo seu irmão, Nick (bateria e percussão), Maxwell Tousseau (guitarra e teclado), Gavin Castleton (teclado e voz), Nick Sollecito (baixo) e Robert Parr (teclado e guitarra).


No mesmo ano, surge a primeira demo: Dear Ms. Leading, que serviu de veículo para as restantes produções. Em 2006 irrompe Act I: The Lake South, The River North, o primeiro de cinco álbuns conceptuais da banda, que contam uma história dividida em cinco atos. Este conceito tornou-se num dos traços distintivos do grupo, além da sua sonoridade. Não obstante, convém ressalvar que a banda tem também álbuns fora da trama arquitetada por Crescenzo.


The Dear Hunter é sem dúvida um projeto suis generis. A fusão da narrativa com o instrumental orquestral, confere ao ouvinte a sensação de que está a assistir a um filme exclusivamente em áudio. Isto deve-se a todo o arranjo musical que vai crescendo conforme o enredo se vai desenvolvendo, permitindo uma imersão total na história que é contada através de canções.


Este resultado, no entanto, não é de estranhar tendo em conta uma das maiores influências de Casey Crescenzo ser o cineasta Terry Giliam.


O grupo de Role Island já editou oito álbuns de estúdio: Act I: The Lake South, The River North (2006), Act II: The Meaning of, And All Things Regarding Ms. Leading (2007), Act III: Life and Death (2009), The Color Spectrum: The Complete Collection (2011), Migrant (2013), Act IV: Rebirth in Reprise (2015), Act V: Hymns with the Devil in Confessional (2016) e The Fox and the Hunt (2020).


Sugestões*:

“Lillian” - https://youtu.be/C_m4Vy5mT48

“Whisper” - https://youtu.be/6TbAn5t5u0k


“Life and Death” - https://youtu.be/htUONm7MICA




“The Kiss of Life” - https://youtu.be/BzcESPQOk1E


“Wait” - https://youtu.be/psKsI6K5VJk


“The Old Haunt” - https://youtu.be/7qI_LBCofHM


*Apesar das sugestões, é aconselhável que os álbuns conceptuais sejam ouvidos por ordem para uma melhor experiência.



#4 Phoebe Bridgers


Passamos agora para a nossa única artista a solo da lista. Phoebe Lucille Bridgers, nascida a 17 de agosto de 1994 em Passadena, Califórnia, nos EUA, é dos mais recentes sucessos da indústria musical. Além de cantora, Bridgers é também compositora, guitarrista e produtora.


Desde tenra idade que o interesse pela música é nutrido pela artista, tendo começado cedo a escrever as suas próprias canções. Apesar de ter surgido aos olhos do público com o single “Killer” em 2015, foi em 2017 com o seu disco de estreia Stranger in the Alps que a californiana conseguiu captar o interesse de uma boa porção de curiosos. A partir da estreia, seguiram-se colaborações de sucesso com Julien Baker e Lucy Dacus, com quem formou o projeto Boygenius; e Connor Oberst com quem criou a banda Better Oblivion Community Center.


Em 2020 é lançado o segundo álbum de originais - Punisher - que lhe valeu a nomeação em 4 categorias na sexagésima terceira edição dos Grammy Awards.


A música de Phoebe Bridgers abrange géneros como indie rock, indie folk e emo folk. Um dos pontos de destaque dos trabalhos da artista passa pelo uso recorrente de guitarra acústica em fusão com alguma produção e instrumental eletrónico, obtendo melodias que, conjugadas com as letras, resultam num estilo melancólico, misterioso e assertivo, contudo, suave e doce. Temas como depressão, relações difíceis, trauma, são recorrentes nas composições da jovem. Não obstante, apesar das letras e temáticas obscuras, Bridgers também inclui na sua música referências atuais como o fenómeno do ASMR, a série televisiva Fleabag e o podcast de true crime My Favorite Murder.


As suas principais influências passam por artistas como: Elliot Smith, Bright Eyes, Black Mills, Tom Waits, Avril Lavigne e Nine Inch Nails.


A cantora de 26 anos tem conquistado pelo seu carisma e irreverência, sendo as suas imagens de marca o seu peculiar fato de esqueleto e atitude descontraída, tornando-a numa figura amistosa.

Recentemente esteve nas bocas do mundo por ter tentado destruir a própria guitarra no final da sua atuação no programa de televisão Saturday Night Live. A atitude mereceu elogios do líder dos Foo Fighters, Dave Grohl.


A artista tem editados dois álbuns de estúdio: Stranger in the Alps (2017) e Punisher (2020).


Sugestões:


“I Know the End” - https://youtu.be/WJ9-xN6dCW4


“Savior Complex” - https://youtu.be/VJlR3pvgLQA


“Kyoto” - https://youtu.be/Tw0zYd0eIlk



“Moon Song” - https://youtu.be/DXqZ66XK3z8


“Smoke Signals” - https://youtu.be/vAKg267JgBE


“Motion Sickness” - https://youtu.be/9sfYpolGCu8


#5 Starset


Por último, mas não menos importante, temos Starset, uma banda de rock com origem em Columbus, Ohio. Formada em 2013, pelo também vocalista dos Downplay, Dustin Bates, Starset traz-nos um estilo muito próprio que nos reporta a uma atmosfera futurista.


O grupo tem como membros integrantes Dustin Bates (voz principal, teclado, placa de som), Ron DeChant (baixo, teclado, voz), Brock Richards (guitarra e voz) e Adam Gilbert (bateria e percussão).


À semelhança de The Dear Hunter, o trabalho de Starset também se baseia numa narrativa. Contudo, no caso desta, o enredo extravasa o conteúdo musical, formando uma verdadeira transmedia storytelling.


Segundo a história ficcionada por Bates, Starset teria sido formada como parte de uma iniciativa de alcance do público pela The Starset Society, com o objetivo de alertar a população sobre uma mensagem obtida por um sinal vindo do espaço. É com base nesta história que as produções musicais são elaboradas, sempre com uma sonoridade e estética que tentam recriar um ambiente tanto cósmico e misterioso, como épico. Este escopo é alcançado através da mistura de instrumentos sinfónicos com efeitos eletrónicos (tanto musicais como vocais) e riffs de guitarra barítono. É pelo estilo tão distinto das melodias de Starset que Bates rotula a sua música como cinematic rock, embora a banda seja classificada com os géneros de hard rock, rock electrónico e rock alternativo.


As influências do grupo de Columbus vão muito para além da música, sendo que Dustin Bates sempre se mostrou interessado em astronomia e teve Tesla como uma das suas inspirações na construção da história de Starset. Sem impedimento, teve também como ‘mentores’ Hans Zimmer, Nine Inch Nails, Sigur Ros, Thirty Seconds to Mars, Deftones, Linkin Park e Breaking Benjamin.


O trabalho da banda não tem passado em branco, tendo o seu segundo álbum, Vessels, alcançado a décima primeira posição na tabela da Billboard 200, e a quarta posição na lista dos “25 Melhores Álbuns de Hard Rock de 2017” da revista Loudwire; além disto, um dos singles desse mesmo disco, “Satellite”, conquistou décimo segundo lugar da Billboard Mainstream Rock Chart.


Starset tem um total de três álbuns de estúdio editados: Transmissions (2014), Vessels (2017) e Divisions (2019). Para além destes a banda ainda conta com uma versão deluxe de Transmissions e uma reedição do disco Vessels, com o nome Vessels 2.0 (2018).


Sugestões:


“Let It Die” - https://youtu.be/xJtBYAKBByk

“Satellite” - https://youtu.be/mCbdQNGBw9E


“Starlight” (versão acústica) - https://youtu.be/UdF01auzvNI



“Die For You” (versão acústica) - https://youtu.be/TVb24E32PK8


“Unbecoming” - https://youtu.be/E2jFtRHjbPo


“Diving Bell” - https://youtu.be/P6hbIPy_H9o







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