• Afonso Loureiro

A saga do TikTok

Atualizado: 9 de Jul de 2020

Estamos em julho de 2020. Nos últimos meses, o mundo tem vivenciado enormes mudanças, quase todas não por uma boa razão. O vírus Covid-19 revolucionou radicalmente o nosso quotidiano, principalmente, na altura do chamado confinamento.


Talvez a pensar nisso (e também por outras razões, com certeza), afirmou-se a aplicação do momento, o famoso TikTok, que contribuiu para que muitíssimas pessoas aguentassem melhor a quarentena, em casa. Aliás, a plataforma já foi baixada por cerca de mil milhões e meio de pessoas, incluindo celebridades, a nível mundial.


Mas, para os (com certeza, escassos) que ainda não estão a par do que é o tão falado TikTok, trata-se, muito resumidamente, de uma aplicação de entretenimento que contém vídeos/clips de curta duração (com um máximo, normalmente, de 1 minuto), geralmente, de caráter cómico. Para além disso, são vídeos, por norma, caseiros, ou seja, que qualquer um pode fazer em casa. Pode-se usufruir, no entanto, de “ajudas” que a plataforma dá, como, por exemplo, modificadores de voz, efeitos faciais, etc.


Outra característica é que, tal como outras famosas plataformas (Instagram, Youtube, etc), o TikTok permite que os usuários façam dinheiro com um determinado número de visualizações nos seus vídeos, de forma a se incentivar mais e mais pessoas a descarregarem a aplicação e passarem a ser usuários ativos.


Até agora, parece tudo muito bem (e, de facto, é verdade que o TikTok tem vídeos muito bons, com os quais já me ri muito) mas, tal como em tudo, há sempre um lado negativo. O facto de a aplicação em questão ser, neste momento, extremamente popular faz com que mensagens que nela se publicam cheguem rapidamente a todos os cantos do mundo. Aproveitando essa característica, vão surgindo correntes de desafios, muitas vezes, não muito inofensivos. Diria mais: desafios, por vezes, mortais…


Exemplo disso é o chamado “desafio do sal”, no qual, em frente à câmara, pessoas ingerem uma grande quantidade da substância, para se gravar a reação, que é, normalmente, a de a cuspirem compulsivamente. Daqui não resulta grande perigo. O problema é que, claro, há quem queira sobressair ainda mais e resolve não cuspir o sal. Resultado? Vómitos para a câmara e idas ao hospital.


Outro caso de desafio que não deveria existir é o do “quebra-crânio” ou "desafio da rasteira". Neste, duas pessoas põem-se lado a lado com uma outra, que se encontra no meio. Esta salta e as outras duas fazem força contra as suas pernas, de maneira a que caia virada para a frente. Aqui, as consequências foram mais longe - uma criança acabou por morrer, com um traumatismo craniano.


Já para não falar do desafio “da noz moscada”, em que a façanha é diluir grandes quantidades do condimento em água e bebê-la, por causa dos inerentes efeitos alucinogénios. Exatamente, a noz moscada, ingerida em excesso, pode provocar perceção de falsa realidade, convulsões, taquicardia, náuseas, vómitos e, até, em casos mais graves, falência de órgãos.


Não sei se estas tendências já chegaram ou não a Portugal, mas, caso assim não seja, que assim continue, para o bem de todos. Mas, o que será que vai dentro da cabeça de quem alinha nestes desafios? Aliás, Einstein, certa vez, disse: “há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. E, quanto ao universo, não tenho assim tanta certeza”. Até já houve quem referisse, com bastante ironia, mas com ainda maior pontaria, que se trata de uma “seleção natural”, através da qual o planeta iria ser limpo dos seus habitantes “imbecis”, através desses desafios (risos).


Não julgo ninguém e, como toda a gente, tenho os meus defeitos, mas apenas quero deixar esta mensagem: se estás entediado, se já estás farto de ver Netflix ou não encontras nada para fazer, o que não falta são atividades onde possas passar o tempo. Faz uma videochamada com um amigo, joga na internet, dá um passeio… Mas não ponhas em risco a tua saúde ou a tua vida. Ela não merece que lhe dês valor? Ou, se fores determinado, e queiras fazer essas experiências, ao menos fá-las no teu “canto” e não as postes em locais onde toda a gente as possa ver. Nem só gente “crescida” faz uso do TikTok…


Enfim, usa essa aplicação ou quaisquer outras para te divertires e divertires outros. Mas interpreta com bom senso o conceito de diversão.

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