A resiliência que exige o jornalismo

Atualizado: 20 de Mar de 2020

Uma Entrevista a Ruben Martins por Catarina Magalhães e Paulo Cardoso


A paixão pela rádio levou Ruben Martins, de 23 anos, a ingressar no caminho do jornalismo. Depois de alguns estágios e um emprego de quatro meses no SAPO24, o jovem, natural de Arruda dos Vinhos, chegou à redação de “um dos melhores jornais nacionais”. No entanto, a jornada não foi imediata. Tudo começou com um não, após ter entregado cassetes de um programa à redação do Público. Quando o jornal decidiu renovar a sua aposta no digital, Ruben foi contactado.


O jovem jornalista é a prova de que ainda não é impossível ingressar na profissão. Por outro lado, assume que um dos maiores desafios é a falta de tempo e a “utilização excessiva de estagiários nas redações”. Em relação ao jornalismo, a tentativa de “ser rentável” é hoje uma preocupação constante para os órgãos de comunicação social. Além disso, o estigma que o jornalista do online “é um jornalista de segunda” não o afasta da sua relação de proximidade com uma profissão que trata por tu.

Qual foi o teu percurso até chegares a jornalista no “Público”?


Ruben Martins entrou no curso de Comunicação Social em 2013, em Lisboa, e o seu “grande interesse era pela rádio”. Adepto da magia da política, criou, em 2016, o Podcast “Politicamente” depois de ter percorrido a rádio Oásis, a academia RTP Porto e o SAPO24. Três episódios gravados abriram-lhe as portas do Jornal Público.


Quais foram as maiores dificuldades que marcaram o teu percurso?


“Nunca passei por precariedade profissional” conta o jornalista, ao mostrar-se preocupado com a precariedade de colegas e a falta de tempo a que os jornalistas estão sujeitos. Assim, revela ser uma pessoa interventiva a dar os seus alertas no Sindicato dos Jornalistas sobre o setor.


Alguma vez te arrependeste?


Na sua redação, revela que não se arrepende do caminho que traçou e que trabalha no que sempre imaginou realizar. Afinal de contas. a felicidade é uma palavra-chave para ter motivação no trabalho.


Apesar do teu gosto pela profissão, qual seria o emprego que gostarias de ter, se não fosses jornalista?


Sem ser jornalista, “adorava ser professor na área da rádio” assume Ruben Martins. Ao puxar por áreas que lhe despertam interesse como geografia e gestão de órgãos de comunicação, revela que trabalha “num dos melhores jornais do país”. Pode-se pedir melhor?


Já pensaste em abandonar a carreira?


A resposta é um redondo não, mas “passa pela cabeça de qualquer jornalista, quando se defronta com dificuldades”. A idade ainda é uma pequena flor e quer aproveitar novas experiências que possam surgir, sem pensar em abandonar a profissão que o acolheu.


Qual é a área do jornalismo que mais te fascina?


Falar sobre temas que têm impacto na vida dos cidadãos e perceber o que muda o nosso mundo são os principais interesses do jornalista. O podcast P24 permite-lhe abordar a “política interna” e assuntos internacionais que despertem atenção e explorar essas dimensões.

Fotografia gentilmente cedida por Ruben Martins

O que é que o podcast introduz de novo no jornalismo?


Um dos mais recentes géneros jornalísticos constitui uma nova forma de o “jornalismo se expressar”. A intimidade com o leitor ou ouvinte, da “rádio para a internet”, do jornal são uma nova ferramenta para conquistar pessoas, confessa o jornalista.


Como funciona a dinâmica do Podcast e a interação com e do público?


A autonomia do seu programa, P24, é “quase total”, cingindo-se às manchetes do dia do jornal. Por vezes, os próprios ouvintes participam e mandam sugestões em relação a determinadas matérias.


Quais são os maiores desafios que vive o jornalismo ainda mais do imediato, ou seja, o digital?


O modelo de negócio continua a ser uma falha nas administrações dos jornais, que se reflete na luta pela sobrevivência de algumas redações. “Convencer as pessoas que têm de pagar por informação” é uma batalha diária, que se encontra vencida, à partida, devido aos nichos de desinformação nas redes sociais.


O combate à desinformação é hoje uma preocupação das redações e dos jornalistas?


A confiança do público em narrativas ficcionais desvirtua noção da relação entre o jornalismo e a verdade. Os órgãos que hoje desinformam as pessoas são “tudo menos jornalismo” e constituem uma ameaça ao seu verdadeiro valor.


Qual é o teu conselho para os jovens que querem ingressar na área?


O dinamismo é uma arma, quando uma licenciatura não é o suficiente para o mercado de trabalho. O fator D é “ser um produtor de conteúdos e ter trabalho produzido”.



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