• Catarina Magalhães

A lente que procura dar uma casa

Atualizado: 31 de Jan de 2020

A adoção de animais em Portugal, bem como na União Europeia, tem sido um tema recorrente nos meios de comunicação. O projeto Be My Friend tem como objetivo ajudar Associações, através de sessões fotográficas, que visam sensibilizar as pessoas para darem uma casa a estes animais. João Azevedo, fotógrafo de retrato (especializado em retrato profissional), é o responsável pelas fotografias de mais de 176 animais. O mote foi “a paixão pela fotografia e a vontade de ajudar as Associações”, sendo que todo o trabalho é voluntário.

Fotografia gentilmente cedida por João Azevedo

Qual foi o mote para o projeto Be My Friend?

O mote para o projecto foi a paixão pela fotografia e a vontade de ajudar as Associações com a adoção. Sempre gostei muito de fotografar animais e, como achava que era bom no que fazia, porque não usar a arte para ajudar?


Como é que tudo começou?


Começou com uma primeira sessão fotográfica em 2015, no Refúgio do Ruff. Gostei tanto do resultado final, que tentei logo ir a outras Associações e canis. Mas não tive sorte, e o projecto ficou esquecido até Junho de 2019. Através de um amigo veterinário, Dr. José Miguel Campos, do Centro Cirúrgico Veterinário de Assafarge, consegui ir ao Canil Municipal de Coimbra. E desde aí que tenho tentado fazer as sessões fotográficas com alguma regularidade.


Então, sempre se cingiu a associações na zona de Coimbra?


Sim, para já, tenho ido só às Associações de Coimbra ou perto. Já tenho convites de Associações noutros pontos do país, mas tenho de perceber primeiro como posso minimizar os custos das viagens.


O que significaria, para si, enquanto profissional, chegar a mais pontos do país?


Em relação ao projecto Be My Friend, gostaria de poder ajudar o máximo de associações possíveis. Trata-se de um trabalho voluntário. Já tenho algumas associações longe de Coimbra que me contactaram a informar que ajudavam nas despesas da viagem. Assim, será possível chegar a outros pontos do país.


Em que aspeto a fotografia vem potenciar o sucesso das adoções?


As fotografias estão a ajudar bastante nas adoções. Tento sempre capturar a melhor expressão possível. Escolhi um enquadramento mais próximo do focinho para causar mais impacto, e para tentar capturar a essência do patudo. A qualidade das fotografias faz com que sejam muito partilhadas, aumentando as hipóteses de adoção.


Fotografias gentilmente cedidas por João Azevedo e disponíveis no Facebook e Instagram


E sente que as pessoas acabam por se sentirem mais próximas dos animais, através da fotografia?


Mais próximas não sei, mas com mais vontade de adoptar, sem dúvida que sim! Vejo pelos comentários, pelas mensagens que recebo, e pelas partilhas.


Há muitas pessoas envolvidas no processo?


Tenho tido a ajuda da Célia Lopes, desde que retomei as sessões em 2019. Tem sido essencial no projecto. Depois, em cada Associação, temos os responsáveis e os voluntários. O número de pessoas vai variando, mas no mínimo são 3.


Quais são as maiores dificuldades ao fotografar animais?


A única dificuldade é ter o animal sossegado em frente da objetiva. Os irrequietos requerem uma dose extra de paciência, às vezes são mesmo muito difíceis de sentar. Outros não olham diretamente para o fotógrafo, desviam sempre o olhar. Depois de tentar os truques todos, se não dá, ficam com uma foto a olhar para outro lado e passa-se para o próximo. O importante é ter um bom registo.

O projeto é um claro exemplo de como as redes sociais e a arte da fotografia podem potenciar a adoção de animais. Tendo em conta os elevados números de abandono, é urgente as pessoas perceberem a responsabilidade que é terem de cuidar da vida de outro ser vivo. O próprio tribunal já reconhece a centralidade do seu estatuto, ao ser possível a guarda partilhada entre um casal que se divorcie. Além do aumento dos investimentos em hotéis para animais ou o número de escolas e até universidades de treino.


A seguinte infografia demonstra a centralidade dos animais domésticos na vida dos portugueses:




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