• Mafalda Pereira

A coroa que veio abalar o mundo

Quando fiz a contagem decrescente para este novo ano, dei como garantido cada um dos seus 366 dias. Tinha comigo a certeza de que ia poder escolher o que fazer em cada um deles e esperava estar junto àqueles que amo o tempo que quisesse, sem planos de contingência em cima da mesa. Contudo, não fui a única a equivocar-me. Já devem ter reparado que também não constava nas previsões dos (tão sábios) astrólogos e tarólogos, para 2020, um cenário de pandemia. O que aconteceu à socialização e festejo escritos para este ano no quatro de paus? 


A verdade é que o mundo não estava preparado para um momento tão inesperado. Este vírus (em forma de coroa) veio abalar a saúde a nível global e virou do avesso todas as nossas convenções. Algo tão simples como um toque, para nós entendido como uma mera demonstração de carinho, rapidamente se transformou em algo destrutivo. “De repente abraços e beijos tornam-se armas, e não visitar pais, avós e amigos torna-se um ato de amor”. Irónico, não é?


Este vírus veio também comprovar a efemeridade do que nos rodeia. O mundo à nossa volta parou - fecharam cafés, restaurantes, ginásios, escolas. Todos tivemos de adaptar as nossas rotinas a uma nova realidade, a um mundo que está diferente. Mudar rotinas nem sempre é fácil e pode provocar desgaste a nível psicológico, principalmente quando, para lá das quatro paredes que nos rodeiam, há mais de um milhão de pessoas infetadas com um vírus que ainda não encontrou cura.


A realidade atual é difícil. Prova disso são os números que invadem o dia-a-dia dos ecrãs das nossas casas. O panorama mundial é alarmante e há regiões onde os casos de doença por Covid-19 continuam a aumentar. No entanto, a pouco e pouco, começam a surgir boas notícias e países como a Itália, outrora mais afetados pelo novo coronavírus, começam a ver números mais estabilizados. Isto não pode ser sinónimo de redução de medidas de contingência. Nos dias que enfrentamos, impera o isolamento e vai permanecer assim. 


Até quando? É esta a pergunta do milhão. E essa é, a meu ver, uma das coisas mais difíceis e assustadoras neste quadro - a incerteza do seu final. Não há uma data definida para o término desta pandemia. Ninguém sabe quantas semanas de isolamento teremos pela frente. Resta-nos a certeza do bom trabalho por parte dos profissionais de saúde, e de outras áreas, que tanto têm contribuído para ajudar no combate deste vírus. 


Fonte: Diário de Notícias

Numa altura em que o cansaço do isolamento começa a aparecer e os pensamentos mais negativos tendem a sobrepor-se aos saudáveis, há que olhar para o caminho já percorrido e tentar ganhar força. Devemos, no entanto, manter sempre os pés assentes na ideia de que esta é, sim, uma guerra que, embora biológica, pode ser mais destrutiva do que uma militar. O isolamento é a única arma ao nosso alcance. 


Espero que no final deste capítulo sejamos capazes de saborear os pequenos prazeres que residem nas coisas simples. Que fique a lição de não tomar o amanhã como garantido, nem as pessoas que estão à nossa volta. Que um abraço não seja só um abraço. Que o contacto pessoal volte a ser mais valorizado. Até lá, fiquem em casa, para que tudo volte ao que era... O mais rápido possível.  

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